‘Du Levande’ (Tu, Que Vives) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Como um filme sobre gente tão depressiva nos consegue fazer rir e deixar bem dispostos é uma questão que apenas “Du Levande” responde.

Realizado por Roy Anderson, esta ode à vida – aos pequenos e grandes problemas – é um prodígio e um regalo para os nossos sentidos, apresentando umas série de personagens desconexos a viverem como podem. Tudo é apresentando em forma de vinhetas (57), em profundos quadros sem movimentos da câmara, num estilo quase de sketch anedótico, mas repleto de vida, e de pequenas trivialidades profundamente estilizadas que no fundo não  são assim tão surreais como aparentam. Aliás, Andersson é o rei de encontrar um significado no nada, e faz-nos rir com as desgraças dos outros, que muitas vezes também são nossas, senão constantemente.
E é surpreendente como o filme nos cativa, e interage mesmo connosco, entre o drama, a comédia e o musical (brilhantemente introduzido), num ritmo lento mas hilariante. Para ajudar, há que falar na estética dos cenários, super apurada, e que dão a sensação constante de tudo fazer parte de um sonho. Aliás, Anderson é um profundo conhecedor de arquitectura e design, tendo sido cada cenário estudado de maneira a agir quase como uma personagem.

Quando o filme realmente apresenta um tom mais onírico, ainda acaba por ser mais visualmente poderoso. Tal como Buñuel o faz em “O Discreto charme da burguesia”, quando alguém fala de um sonho, esse é imediatamente apresentado. Realce para o homem que sonha com o puxar a toalha numa mesa repleta de loiças antigas. O castigo? A cadeira eléctrica, porque a prisão perpétua não é suficiente. E enquanto os juízes bebem canecas de cerveja e o advogado chora, o réu afirma: É assim a vida.

Numa outra situação uma jovem conta do seu casamento imaginário com um músico. É hilariante toda a sequência. Depois há a professora a quem o marido chamou simplória, o homem que durante o sexo fala do seu drama com o fundo de pensões, e muitas outras histórias de uma verdadeira tragicomédia exuberante

Não tenham dúvidas. Apesar de ser de 2007, “É assim a vida” é o primeiro grande filme a estrear nas nossas salas em 2011.

A não perder…

O Melhor: A estética e a introdução dos sonhos na história
O Pior: Tantos anos para estrear

A Base: Apesar de ser de 2007, “Tu, Que Vives” é o primeiro grande filme a estrear nas nossas salas em 2011…9/10

Jorge Pereira

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