Anna tem uma vida rotineira, um companheiro com uns quilos a mais, e pouca chama na sua relação, cada vez mais pressionada a dar o passo seguinte, que no seu caso é ter filhos. Já Domenico é um homem casado, com duas crianças, dificuldades económicas visíveis e partilha a mesma ausência de algo transcendental que altere um pouco o seu dia a dia.
No fundo são duas personagens fartas das suas rotinas de adultos e que buscam uma paixão, algo que abane com a sua existência. No filme não faltam os simbolismos a esse facto, como se ambas as personagens se comportassem e quisessem ter uma paixão adolescente, sem as preocupações que a vida conjunta trás anexas.
E quando os dois embarcam na clandestinidade e no adultério é visível os nervos, que mais fazem lembrar os dos casais de adolescentes com pouca experiência sexual. A dificuldade em encontrarem um espaço para estarem, a troca de mensagens por telemóvel, as mentiras aos respectivos companheiros, e até uma relação sexual que dura apenas uns breves momentos, demonstram o regresso aos tempos de teenagers sem grandes responsabilidades, como se viessem respirar um pouco antes de submergirem de novo nas suas monótonas vidas.
Para complementar, Silvio Soldini frisa problemas importantes dos dias de hoje da sociedade ocidental – e que afectam particularmente os casais. A solidão em pessoas que têm companheiros, a exaustão que um trabalho e os filhos provocam nos país (que cada vez tem menos momentos sozinhos), os problemas financeiros, e o medo dos compromissos, estão bem retratados, tal como o desmazelo e as rotinas em que nos enfiamos quando estamos mais ou menos estáveis.
Tudo isto podia criar um filme bastante interessante, mas este “Cosa Vogliu Di Piu” não o é. E não é porque a relação entre o Anna e Domenico, bem interpretados por Giuseppe Battiston e Alba Rohrwacher, entra em redundâncias que se estendem por demasiado, e se nem as personagens sabem bem o que querem, porque havíamos de nós saber?
Para piorar, e quando se desvanece o interesse pela relação clandestina de ambos, o espectador não encontra nada mais em que se fixar, pois todo o elenco de secundários é eliminado à medida que o filme se torna, cada vez mais, uma película a dois. Assim, assistimos ao resto da obra com pouco interesse, pois quer se queira, quer não, as personagens centrais não são assim tão interessantes ou únicas para nos entrosarmos com ela.
Assim, valem mais as intenções de Silvio Soldini que os resultados, não restando porém dúvidas que este é o género de filmes que um certo grupo intelectual gosta e adora seguir em festivais de cinema…
O Melhor: O nervosismo adolescente das personagens
O Pior: À medida que o filme avança, cada vez mais nos afastamos das personagens principais.
A Base: Quando se desvanece o interesse pela relação clandestina de ambos, o espectador não encontra nada mais em que se fixar, pois todo o elenco de secundários é eliminado à medida que o filme se torna, cada vez mais, uma película a dois…4/10

