‘Despicable Me’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Gru adora tudo o que é maléfico. Armado com o seu arsenal de raios de encolher, raios de congelar e veículos de guerra para terra e ar, ele arrasa todos aqueles que se atravessam no seu caminho; até ao dia em que encontra três pequenas orfãs que vêm nele algo que ninguém mais viu: um potencial Pai.

Mas desistirá Gru de ser o maior vilão que o mundo já conheceu? E conseguirá ele ultrapassar o seu maior rival e roubar a Lua?

Os vilões estiveram em alta este ano como principais protagonistas  dos filmes de animação. Basta relembrar Megamind, e basta ver este Gru, um homem com sérios problemas de afirmação em relação à mãe e que encontra nas maldades uma forma de realmente ser amado e aclamado por esta. Porém, e como todos os filmes de animação nos tempos que correm, há demasiada psicologia barata  por trás dos desejos malévolos da personagem, e no fundo ele apenas quer é reconhecimento e amor maternal.

E se “Madagascar” tinha nos pinguins a sua melhor personagem, se Shrek tinha no Burro o seu elemento mais cómico, Gru tem no seu exército de Mínimos a sua força avassaladora de nos fazer rir Estas pequenas personagens amarelas tem o dom, sem nunca proferirem uma palavra que percebamos, de nos fazer rir com o seu humor normalmente slapstick e que dão à obra a chama suficiente para ficar na memória. Em certos momentos lembrei-me de uma curta metragem da Pixar, chamada “For The Birds”.

Por outro lado, e apesar de Gru ser descrito como um vilão, não o é no fundo, acabando por haver outro bastante pior. Esta personagem, que mais parece um Bill Gates mais miúdo e vestido de fato de treino, consegue nos fazer rir com as suas patetices, como o atirador de piranhas.

Para além disso, o filme tem algumas referências contemporâneas, como ao banco Lehman Brothers, transformado agora no Banco dos Supervilões, o que dá uma dimensão mais adulta a toda a obra. Um pouco como “Shrek 2” tinha com a sua paródia a “Cops”. Estas piadas são destinadas a um público não infantil, o que não torna uma ida ao cinema um suplício pelos mais velhos.

Por essas razões, e por ser divertido e charmoso, embora manipulativo nos sentimentos, “Despicable Me” consegue ser uma obra interessante de animação, embora fique mais na memória pelos Mínimos e pela música de Pharrel, que por outra coisa qualquer…

O Melhor: Os mínimos
O Pior: Sentimentalmente manipulador

A Base:  Divertido e charmoso, embora manipulativo nos sentimentos…6/10

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