Baseado num argumento de Jacques Tati, escrito em 1956, e guardado por mais de cinquenta anos pela família, “O Mágico” é uma carta de amor de um pai para uma filha: de Tati, génio da comédia e lenda do cinema francês que executou obras como ‘Mon Oncle’ e ‘Playtime”, para Sophie Tatischeff, a sua filha. Mas o filme vai mais além, sendo uma verdadeira ode a outros tempos, ao cinema, e especialmente à animação.
Tatischeff (com uma fisionomia semelhante a Tati) é um antiquado e envelhecido mágico que já viu melhores dias. As pessoas parecem se afastar da Magia como forma de entretenimento e ele não vê outra saída a não ser procurar um local onde a sua arte seja apreciada, e remunerada como merece, pois claro. De França a Londres, passando pela Escócia, o filme acompanha o mágico, que entretanto cruza-se com uma rapariga que trata como filha, seguindo ambos para Edimburgo à procura de mais para as suas vidas.
O ventríloquo que vende o seu boneco (que já ninguém sequer quer comprar), o palhaço depressivo prestes a suicidar-se, ou o trio de trapezistas saltitões, funcionam como uma clara mudança dos tempos, representando velhas artes caídas no esquecimento. Em oposição, o filme reflecte as novas tendências, quer através dos novos heróis pop (via uma banda musical cercada de adolescentes histéricas), quer nos novos mecanismos de negócios (lojas que contratam animadores), etc.
O Melhor: Tatischeff Vs Tati no cinema. Hilariante e mágico…
O Pior: A técnica 2D vai afastar mais as crianças que os adultos…
A Base: Chomet constrói um filme mágico, com uma nostalgia bidimensional no traço e um tom de fita emi-muda que é mais do que suficiente para nos divertir, quer através da comédia slapstick, quer com os sinais de outros tempos que dão que pensar…8/10

