‘L’amour, c’est mieux à deux’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
Na nota de intenções para “O Amor é Melhor a Dois”, o co-realizador e produtor Dominique Farrugia afirma que queria “contar uma verdadeira história de amor, colocando nela o máximo de piadas possível”. E o filme tem bastantes, apenas pecando pela maioria delas não terem a mínima graça ou serem apenas vulgaridades.
No filme seguimos Michel (Clovis Cornillac), um homem que espera que o amor lhe surja como é tradição na família, como aconteceu aos pais e aos avós: um puro acaso. Já Vincent (Manu Payet) é daqueles que só pensam em sexo. Mas estes dois amigos de infância vão mudar a sua forma de encarar o amor e tudo o que está à sua volta quando conhecerem Angèle (Virginie Efira) e Nathalie (Annelise Hesme).
No fundo esta fita estreada em Portugal na Festa do Cinema Francês parte do principio básico, como Christophe Narbonne afirma na Première, que “os rapazes são tontos e inconstantes e as raparigas sensíveis e decididas”. Eu acrescento que os rapazes são inconstantes pois não se envolvem numa relação séria por puro medo. E acredito também que as mulheres são sensiveis por causa da inconstância idiota dos rapazes. Não que isto tenha alguma importância nesta fita, que não é mais que um cliché pegado que não dá que pensar, mas apenas entreter durante hora e meia.
O maior problema, para além do argumento simplório, é que se Clovis Cornillac e Virginie Efira conseguem puxar minimamente pelo público, no meio das suas antagónicas perspectivas de vida, o mesmo não ocorre com Manu Payet, um humorista que incarna uma personagem supostamente charmosa, apesar de não ser possível vislumbrar o porquê. E não podendo ser um herói, restava-lhe tentar sobreviver como um vilão anti-amor com graça, coisa que também não revela ser, andando assim perdido, como se a personagem de outro filme tivesse sido transplantada para este.
O resultado final é um filme sofrível, com algumas piadas a espaços e quase todas vindas da interpretação de Cornillac. São estas que evitam que o filme morra antes do fim, como se de um desfibrilhador se tratasse.
Dispensável…

O Melhor: As piadas de Clovis Cornillac
O Pior: Argumento básico e cliché.


A Base:
Um filme sofrível, com algumas piadas a espaços e quase todas vindas da interpretação de Cornillac… 4/10
 
Jorge Pereira (Festa do Cinema Francês)

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