Apoiado pela mulher, e com a sua velha mota (de onde vem a alcunha), Serge Pillardosse (Gérard Depardieu) parte assim numa aventura pelos locais da juventude, que o fará rever antigos patrões, amigos e membros da família que há muito não via.
É na estrada que começa a perceber que as pessoas sempre o viram como um imbecil sem educação, apesar de no fundo ele ser um deficiente social que não se integra no mundo dos dias que correm.
Para atormentar, ou ajudar, na sua viagem, é constante o surgimento Anjo da Guarda/Fantasma de Yasmine (Isabelle Adjani), o seu primeiro amor perdido (e musa) num dramático acidente de mota, e que vem a seu lado nos momentos depressivos.
O filme avança então por entre interacções de Serge com o mundo novo, repleto de gente envelhecida que lhe surge pela frente e jovens sem grandes futuro. O burlesco e o surreal de algumas situações faz lembrar ‘Le Roi De L’Evasion’, ainda que neste caso tenhamos um homem não cansado da sua vida, mas desajeitado por natureza com o mundo que o rodeia. E é curioso como acaba por ser a sua jovem sobrinha a acordar o poeta que nunca se esperava encontrar nele.
Mas se o filme é cativante e contra-cultura nos primeiros dois terços, a tal descoberta poética soa demasiado convencional, como algo escrito no final de uma obra para a encerrar de uma maneira charmosa e apaixonante da personagem transformada. Aqui, e olhado no final para toda obra, os danos foram alguns, mas que não destituem ao duo de cineastas (bem conhecidos da TV) o estatuto que têm, especialmente na construção do humor.
Uma nota final para Depardieu, que consegue aqui um papel avassalador, mas que não cria em momento algum um over-acting que certamente surgiria num actor menos experiente…
O Melhor: Toda a postura e trabalho de Depardieu
O Pior: Convencionalismo do último terço em oposição à rebeldia inicial
A Base: Se o filme é cativante e contra-cultura nos primeiros dois terços, a tal descoberta poética soa demasiado convencional e castiga de certa maneira o compito geral da obra…6/10

