‘The Last Station’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
Em “The Last Station” estamos em 1910, ano da morte do famoso Leo Tolstoi, escritor de clássicos como “Guerra e Paz”. É na sua imponente casa de campo em Yasnaya Polyana que o vamos encontrar, já fisicamente abalado, e com pouca cabeça para trabalhar. Ao seu lado está a sua esposa de sempre, Sophia Tolstaya (Helen Mirren), uma mulher que ao contrário de Tolstoi tem uma visão mais aristocrata e religiosa da vida.
Defensor do fim da propriedade privada, e persecutor do comunismo que anos mais tarde destronaram os Czares na Rússia, Tolstoi tem uma enorme legião de seguidores, dispostos a tudo por ele. Entre eles está um novo secretário, Valentin Fedorovich Bulgakov  (James McAvoy), contratado pelo advogado e líder do movimento  (tolstoniano) para que este tenha a certeza de tudo o que passa lá por casa e se o famoso escritor e filósofo vai mesmo alterar o seu testamento, de maneira a que todas as suas obras fiquem em domínio publico para todos os russos ganharem com elas.
Quem não concorda nada com esse desejo dos Tolstonianos é Sophia, que crê que a família pode ficar miserável e sem nenhum meio de subsistência no futuro.
Filmado na Alemanha e na Rússia, “The Last Station” não se limita a ser uma cinebiografia do escritor ou do seu idealismo, mas foca-se essencialmente  nos últimos momentos da sua vida e na tensa relação deste com a sua mulher, onde claramente os direitos conjugais e o idealismo entram em choque, quando no cimo da mesa estão assuntos económicos. Mas mais que o futuro da família, creio que Sophie sentia em relação a Tolstoi uns ciúmes gigantescos por ser o idealismo a conduzi-lo e não ela, que para todos os efeitos foi a sua musa inspiradora tantos e tantos anos.
Com interpretações marcantes de Christopher Plummer e especialmente de Helen Mirren, “The Last Station” é um filme de época com discussões bem contemporâneas, onde trabalho, família e princípios ideológicos de personalidade chocam de forma inevitável.
Uma nota de honra para a belíssima cinematografia de Sebastian Edschmid (Adam Resurrected), que conjuntamente com a destreza literária de filmar em cinema de Michael Hoffman criam uma obra bela, por vezes poética, mas sempre histórica e definitivamente sentimental.
Em oposição, as histórias paralelas em torno do secretário de Tolstoi, e a sua paixão por uma mulher que também trabalha na cooperativa tolstoniana, criam sub-enredos menos interessantes, ou pelo menos mais fracos a nível de impacto no filme do que o desejado.
O resultado é uma total orientação dos resultados em torno do drama principal, realçando-se assim os veteranos Plummer e Mirren, que acabam por absorver tudo e roubar todas as cenas quando estão em destaque na acção.
A ver…

O Melhor: Plummer e Mirren
O Pior: As histórias e personagens secundárias são aglutinadas pela acção em torno dos monstros Plummer e Mirren


A Base:
A destreza literária de filmar em cinema de Michael Hoffman cria uma obra bela, a espaços poética, mas sempre histórica e definitivamente factual… 7/10
 
Jorge Pereira

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