‘Please Give’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

“Please Give” (Encontros em Nova Iorque) marca a quarta colaboração da cineasta indie Nicole Holofcener  e da actriz Catherine Keener. E mais uma vez a actriz tem um papel fulcral, desempenhando uma nova iorquina, Kate, que quer salvar o mundo mas que se mostra incapaz de salvar o seu próprio casamento e uma relação distante com a filha adolescente.
 
Essa forma de estar na vida acaba por ser bastante hipócrita, pois no dia a dia ela trabalha numa loja de mobiliário moderno, ganhando a vida através de grandes negócios com móveis que compra a familiares de pessoas falecidas por valores muito abaixo do que os revende. Como também é dona do apartamento junto ao seu, onde vive uma senhora muito idosa muito pouco amigável, Kate deseja no intimo que esta morra, de maneira a juntar as duas casas. É nesta noção de atitudes menos nobres que ela se sente mal, mesmo deprimida, e com uma necessidade extrema de se redimir. Aceita assim alguns trabalhos de voluntariado e a todo o custo vai alimentando e dando dinheiro aos sem abrigo que encontra na rua. Em oposição, e apesar de o seu negócio lhe render bastante dinheiro, ela é incapaz de dar dinheiro à sua filha adolescente, uma garota cheia de problemas com a sua aparência, e que necessita de algo que lhe aumente a auto-estima. A relação com o marido não é a melhor também e denotam-se algumas criticas a este, e ao que se tornou.
No meio de tanto conflito interior, não é de estranhar que o filme se canalize em torno da personagem de Kate, mas não de maneira a afunilar todos os eventos em torno desta. Paralelamente, o filma acompanha também a saga das duas netas da velhota que vive no apartamento de Kate. Uma delas não encontra namorado e a outra foi recentemente trocada por uma mulher mais nova. A vida de todas estas pessoas cruza-se e recruza-se numa sucessão de dramas que eventualmente irão solidificar a personalidade de cada uma delas.
Com boas prestações de Catherine Keener, Oliver Platt, Rebeca Hall, Amanda Peet e principalmente de Ann Guilbert, o filme circula em torno da culpa e da procura da redenção de uma mulher enquanto ela se tenta relacionar melhor com a família mais próxima e em especial com a filha. À parte disso temos duas mulheres com dramas de amor, ou da ausência deste, numa nova iorque caracterizada de forma burguesa, economicamente a passar tempos menos bons e bastante real, muito longe da cidade dos sonhos que tantos imaginam ser.
E assim, e mais uma vez focando-se nas mulheres, Nicole Holofcener cria um conto urbano do novo milénio, repleto de hipocrisias, num filme onde muito pouco acontece e tudo é orientado em torno das personagens, dos seus diálogos e pequenos dramas…

O Melhor: O núcleo de actores
O Pior: Nenhuma das personagens é suficientemente interessante para que nos envolvamos no enredo a fundo…

A Base: Mais uma vez focando-se nas mulheres, Nicole Holofcener cria um conto urbano do novo milénio, repleto de hipocrisias, num filme onde muito pouco acontece e tudo é orientado pelos diálogos e pequenos dramas das suas personagens…6/10

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