O filme centra-se numa agente da CIA, Valerie Plame (Naomi Watts), e na forma como conduziu a investigação. Como base ela tinha a informação que várias toneladas de Urânio podiam ter sido compradas por Saddam Hussein a um país africano (Níger), e a existência de uns tubos de alumínio no território que bem podiam servir para serem usado em centrifugadoras nucleares, de maneira a enriquecer o Urânio.
Por isso, inicialmente assistimos a um thriller típico do género, onde Plame tenta saber a verdade recorrendo a mecanismos não muito sociais. Ela ameaça pessoas, coloca outras em risco, mas tal como Jack Bauer na TV, e a maioria dos agentes de campo durante o período pós 11 de Setembro, todos os meios justificavam os fins.
Inicialmente tudo circula em torno do esperado, havendo porém no marido da agente – um ex-embaixador (Sean Penn) – algum contraponto à previsibilidade da obra.
Quando mesmo depois de serem aconselhados que o programa nuclear de Saddam tinha sido desmantelado, logo após a primeira guerra do golfo, a Casa Branca e os EUA partem para a guerra, o marido da agente – que foi envolvido nas investigações por ser um conhecedor da zona africana – escreve um artigo que contraria a posição do governo, e deixa claro que não havia razões para acreditar que havia armas perigosas no Iraque.
Em jeito de vingança, e acima de tudo como arma de descrédito, um homem ligado ao vice-presidente americano liberta informações que denunciam Plame como uma agente da CIA, o que faz com que esta perca o seu emprego e fique abandonada à mercê da opinião pública.
Tudo isto afecta o seu dia-a-dia, quer junto do marido, das suas crianças, quer até junto dos amigos. E pior. Um grande número de cientistas nucleares, que ajudaram Plame a fazer o seu relatório, são deixados ao abandono e entregues à sua sorte numa pátria em guerra.
Realizado por Doug Liman (“The Bourne Identity”,”Mr. and Mrs. Smith”), o filme evolui de forma crescente em níveis de ansiedade, e embora o espectador conheça parte da história, esta é construída de forma engenhosa a prender a atenção de quem assiste. E desenganem-se aqueles que pensam que este filme é mais um que torna a administração Bush como saco de pancada. O filme ouve vários pontos de vista e sublinha sempre o facto de Saddam não ser uma pessoa digna de confiar, ainda que deixe entreaberto o excesso de zelo da administração Bush.
Com fantásticas interpretações de Watts e Penn – que já tinham contracenado juntos em “21 Grams” e “The Assassination of Richard Nixon”, o filme transporta-nos para vários ambientes, quer de intriga, quer de drama, nunca esquecendo o tom factual, visto se basear numa história real.
Pena é que no fim o discurso moralista e escusado da personagem de Sean Penn. Nesse instante, o filme deixa de contar uma história, e passa a querer dar-nos uma lição…
De qualquer maneira a ver…
O Melhor: Os actores
O Pior: O discurso moralista de como a ‘terra dos livres’ deve ser e as pessoas devem pensar
A Base: Com fantásticas interpretações de Watts e Penn, o filme transporta-nos para vários ambientes, quer de intriga, quer de drama, nunca esquecendo o tom factual, visto se basear numa história real…7/10

