‘Harry Potter and the Dealthy Hallows – Part 1’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Depois de um paupérrimo sexto capítulo, que é sem dúvida o elo mais fraco da saga Harry Potter nos cinemas, seria difícil este “Harry Potter and the Dealthy Hallows” recuperar a energética dinâmica do franchise que desde “Harry Potter and the Goblet of Fire” vinha em clara decadência.

Em termos cinematográficos é muito estranho isso acontecer, mas na verdade o pequeno Harry Potter nasceu no cinema de forma mediana pela mão de Chris Columbus , cresceu para um nível estupendo com a chegada de Alfonso Cuáron, manteve-se elevado com Mike Newell, mas perdeu força à medida que David Yates assumiu a realização, tendo este, ainda por cima, no bolso o fantástico trunfo que é o Lorde Voldemort, um verdadeiro vilão aterrorizante.

Talvez a explicação não esteja nos cineastas, mas no enredo de JK Rowling, mas para alguém leigo que olha para o sétimo capítulo da saga, ainda por cima dividido em dois filmes, é um pouco bizarro que o mais interessante esteja no meio e não no início ou no fim.

Porém, e apesar de “Harry Potter and the Dealthy Hallows” ser mais uma obra a cair nos preparativos do combate final entre Potter e Voldermort, não é tragicamente entediante como “Harry Potter and the Half-Blood Prince”, onde só o desaparecimento de uma personagem importante e estimada abanou uma história claramente a perder pujança dramática, e cada vez mais embrenhada numa dispersão narrativa e em dezenas de personagens que não trazem nada de novo ou excitante para a história.

O resultado não assassina a série, mas tira-lhe definitivamente força, ainda que os puristas necessitem incondicionalmente da tradução à letra do livro ao cinema.

Como consequência, temos personagens perdidas em tanto enredo, importantes para uma cena e pouco mais, mas mascaradas de imprescindíveis, quando na realidade não o são. Para além disso, creio que cada vez mais se acentua a colagem a “Lord of The Rings”, especialmente quando os acessórios de moda (sejam anéis ou medalhões) parecem ser o demónio em pessoa e levam todos para o mal.

Para piorar, e aqui sim o grande desleixo desta meia 7ª entrega, Yates demonstra o quão banal pode ser uma realização como tantos meios e actores a dispor. Isso já se sentia nas obras anteriores, e volta a reflectir-se aqui. As sequências de acção são sofríveis, confusas, demasiado escuras (talvez para tapar CGI) e até os efeitos visuais parecem que pioraram ao longo da história. Não se entende, porque nitidamente não se trata de uma maior maturidade dos espectadores, pois o livro também se torna cada vez mais adulto à medida que as personagens crescem.

Mas nem tudo é mau neste filme, longe disso. Se as dúvidas de Harry ainda subsistem passados seis filmes, e irritam o espectador, a força de Hermione e as desconfianças de Ron Weasley são lufadas de ar fresco e sem dúvida uma mais valia. A maravilhosa sequência animada a explicar os Talismãs da Morte, lá para o meio do filme, dá uma nova dimensão à obra cinematográficamente, e fazem esquecer algumas situações forçadas (inseridas nas tais dispersões para fazer render mais o peixe) que até levam a mais uma morte dramática, mas sem o impacto que se desejava.

No fim, fica porém a sensação de desconsolo, pois o culminar deste meio capítulo cinematográfico faz-nos desejar cada vez mais o final da saga pelas piores razões…

O Melhor: Há uma animação lá para o meio realizada por Ben Hibon  que é absolutamente formidável
O Pior: A realização de Yates é tudo menos estimulante

A Base: Fica uma sensação de desconsolo, pois o culminar deste meio capítulo cinematográfico faz-nos desejar cada vez mais o final da saga pelas piores razões…5/10

Últimas