‘Unstoppable’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Se há coisa que Tony Scott já mostrou no cinema é que é um cineasta profundamente comercial, mas isso não lhe retira de todo um certo conceito de autor, pois se analisarmos bem, todos os seus tiques cinematográficos estão lá, quase sempre, desde aos típicos contrastes de cores, a jogos com o zoom das câmaras, a acelerações da imagem, a actores fetiche (Denzel Washington), etc.

Todos estes elementos funcionam nos seus filmes como uma espécie de marca d’água, sendo curioso que filme após filme, Scott pareça mais centrado na acção, e menos no melodramatismo das suas personagens  normalmente sofridas, visitando na mesma os clichés do cinema de acção e dos dramas familiares envolvidos no enredo, mas desta vez apenas lhes piscando o olho e seguindo em frente, pois o que interessa é mesmo a acção desenfreada.

E “Unstoppable” é cinema pipoca em todo o seu esplendor, recheado de sequências de acção electrizantes, heróis improváveis (Washington e Chris Pine), burocratas corporativistas típicos (Kevin Dunn), assistentes dos heróis (Rosario Dawson, Lew Temple), tontos (Ethan Suplee), o circo dos Media  e um vilão involuntário de código 777.

Mas vamos ao enredo. Chris Pine é Will, um homem pouco dedicado ao trabalho e que vê na sua profissão um trampolim para o futuro e um cheque ao fim do mês. No seu primeiro dia, ele faz equipa com Frank (Denzel Washington), que não tarda será dispensado mesmo adorando os comboios e o seu trabalho, e trabalhando há mais de 28 anos como maquinista.

Após uma série de situações altamente improváveis, e uma gigantesca coordenação de erros humanos, um comboio com vários vagões é deixado sozinho a circular, e sem ninguém para o travar, torna-se mais que óbvio que um desastre gigantesco pode ocorrer.

Mas Will e Frank vão cruzar-se no seu caminho, e com o apoio de Connie (Rosario Dawson) eles vão tentar travar esta “Besta” que segue a toda a velocidade e repleta de compostos químicos letais. Para piorar, várias composições estão na sua direcção, e à medida que o tempo passa, cada vez mais se aproximam as grandes cidades, capazes de ser atingidas por este “Missil” sobre carris.

 
Apesar de ser extremamente previsível, “Unstoppable” é puro entretenimento durante os seus aproximados 90 minutos.  O filme baseia a sua acção nos consecutivos entraves que o comboio desgovernado encontra pelo caminho, focando-se pouco nas personagens limitadas que detém, e sem nunca se demorar muito a clicar nos clichés do género (apesar de eles estarem lá todos).

O resultado é um thriller de acção fulminante, repleto de sequências de cortar a respiração, e que apesar de imaginarmos o final, assistimos constantemente com o coração nas mãos. É que até todas aquelas marcas típicas de Scott, já descritas acima, estão longe de sufocar o espectador, como em “Man on Fire” ou “Domino” o faziam, onde o estilo sobrepunha-se a tudo mais, como se de um exercício ao ego de Scott se tratasse.

 
Aqui não ficamos cansados com a estilização do trabalho, e raramente pensamos nelas, ficando assim o espectador totalmente orientado para o desenlace.

Como tal, ‘Unstoppable’ é um filme que merece uma olhadela, mas esqueça o enredo altamente improvável, e siga antes o instinto imparável da diversão, pela diversão…

A ver…

O Melhor: É frenético e apesar de ter todos os clichés não os leva à exaustão
O Pior: O enredo e a sequência de eventos altamente improvável será sempre o calcanhar de Aquiles desta obra.

A Base:  Thriller de acção fulminante, repleto de sequências de cortar a respiração, e que apesar de imaginarmos o final, assistimos constantemente com o coração nas mãos… 7/10

 
Jorge Pereira

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