Todos estes elementos funcionam nos seus filmes como uma espécie de marca d’água, sendo curioso que filme após filme, Scott pareça mais centrado na acção, e menos no melodramatismo das suas personagens normalmente sofridas, visitando na mesma os clichés do cinema de acção e dos dramas familiares envolvidos no enredo, mas desta vez apenas lhes piscando o olho e seguindo em frente, pois o que interessa é mesmo a acção desenfreada.
E “Unstoppable” é cinema pipoca em todo o seu esplendor, recheado de sequências de acção electrizantes, heróis improváveis (Washington e Chris Pine), burocratas corporativistas típicos (Kevin Dunn), assistentes dos heróis (Rosario Dawson, Lew Temple), tontos (Ethan Suplee), o circo dos Media e um vilão involuntário de código 777.
Mas vamos ao enredo. Chris Pine é Will, um homem pouco dedicado ao trabalho e que vê na sua profissão um trampolim para o futuro e um cheque ao fim do mês. No seu primeiro dia, ele faz equipa com Frank (Denzel Washington), que não tarda será dispensado mesmo adorando os comboios e o seu trabalho, e trabalhando há mais de 28 anos como maquinista.
Após uma série de situações altamente improváveis, e uma gigantesca coordenação de erros humanos, um comboio com vários vagões é deixado sozinho a circular, e sem ninguém para o travar, torna-se mais que óbvio que um desastre gigantesco pode ocorrer.
Mas Will e Frank vão cruzar-se no seu caminho, e com o apoio de Connie (Rosario Dawson) eles vão tentar travar esta “Besta” que segue a toda a velocidade e repleta de compostos químicos letais. Para piorar, várias composições estão na sua direcção, e à medida que o tempo passa, cada vez mais se aproximam as grandes cidades, capazes de ser atingidas por este “Missil” sobre carris.
O resultado é um thriller de acção fulminante, repleto de sequências de cortar a respiração, e que apesar de imaginarmos o final, assistimos constantemente com o coração nas mãos. É que até todas aquelas marcas típicas de Scott, já descritas acima, estão longe de sufocar o espectador, como em “Man on Fire” ou “Domino” o faziam, onde o estilo sobrepunha-se a tudo mais, como se de um exercício ao ego de Scott se tratasse.
Como tal, ‘Unstoppable’ é um filme que merece uma olhadela, mas esqueça o enredo altamente improvável, e siga antes o instinto imparável da diversão, pela diversão…
A ver…
O Melhor: É frenético e apesar de ter todos os clichés não os leva à exaustão
O Pior: O enredo e a sequência de eventos altamente improvável será sempre o calcanhar de Aquiles desta obra.
A Base: Thriller de acção fulminante, repleto de sequências de cortar a respiração, e que apesar de imaginarmos o final, assistimos constantemente com o coração nas mãos… 7/10

