«Lourdes» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

O misticismo católico e o realismo cinematográfico fundem-se em ‘Lourdes’, a terceira obra de Jessica Hausner que acompanha a peregrinação e viagem de uma doente com esclerose múltipla à cidade de Lourdes, nos Pireneus, destino de peregrinação para milhares de pessoas em busca de um milagre.

Refém de uma cadeira de rodas, Christine (Sylvie Testud)  é uma mulher que decide viver e sonhar com uma cura milagrosa para uma doença complexa. O espectador assiste assim, durante uma primeira parte do filme a uma Lourdes como postal de turismo religioso, vendo quase tudo pelos olhos da mulher que acompanha o dia a dia do local onde tudo parece extremamente minimalista. Mas se olharmos mais de perto, há demasiadas emoções em redor das personagens que circulam pela película, e nem o excesso de testoterona escapa à visão da cineasta.

Construído de forma pausada, o filme está executado de maneira a não existirem nunca grandes eventos, mas um ambiente de pequenas acções que são importantíssimas para o enredo geral. Para isso é necessário força nos actores por trás das personagens, e visto que a principal deste filme está numa cadeira de rodas, as suas palavras e expressões são o mais importante do filme.

Nesse aspecto, Sylvie Testud mostra-se brilhante, quer no tom constrangido que coloca na sua personagem, como na evolução da sua condição.

No final fica a dúvida se a sua cura milagrosa foi ou não temporária, já que a sua interpretação fica eterna.

A ver…

O Melhor: Sylvie Testud e a sua personagem marcada
O Pior: Ao carregar Testud com todo o peso do filme, tudo o resto são detalhes

A Base: O misticismo católico e o realismo cinematográfico fundem-se em ‘Lourdes’, uma obra marcada pela interpretação de Testud…6/10

Jorge Pereira

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