Refém de uma cadeira de rodas, Christine (Sylvie Testud) é uma mulher que decide viver e sonhar com uma cura milagrosa para uma doença complexa. O espectador assiste assim, durante uma primeira parte do filme a uma Lourdes como postal de turismo religioso, vendo quase tudo pelos olhos da mulher que acompanha o dia a dia do local onde tudo parece extremamente minimalista. Mas se olharmos mais de perto, há demasiadas emoções em redor das personagens que circulam pela película, e nem o excesso de testoterona escapa à visão da cineasta.
Construído de forma pausada, o filme está executado de maneira a não existirem nunca grandes eventos, mas um ambiente de pequenas acções que são importantíssimas para o enredo geral. Para isso é necessário força nos actores por trás das personagens, e visto que a principal deste filme está numa cadeira de rodas, as suas palavras e expressões são o mais importante do filme.
Nesse aspecto, Sylvie Testud mostra-se brilhante, quer no tom constrangido que coloca na sua personagem, como na evolução da sua condição.
No final fica a dúvida se a sua cura milagrosa foi ou não temporária, já que a sua interpretação fica eterna.
O Melhor: Sylvie Testud e a sua personagem marcada
O Pior: Ao carregar Testud com todo o peso do filme, tudo o resto são detalhes
A Base: O misticismo católico e o realismo cinematográfico fundem-se em ‘Lourdes’, uma obra marcada pela interpretação de Testud…6/10

