‘A Serious Man’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Nos suburbios americanos, em 1967, Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg) é um professor de Física que acaba de ser informado que a sua esposa, Judith (Sari Lennick), o está a abandonar para ficar com um amigo comum, Sy Ableman (Fred Melamed)- um viúvo que para ela é muito mais interessante que o seu marido.

Como eles vivem segundo as leis judaicas, Judith quer um “get”, um divórcio legal dentro da religião de maneira a não ser uma “agunah” e poder voltar a unir-se como mandam as regras.

Mas este não é o único problema que se abate sobre Larry, um homem que só quer ter uma vida séria e sem problemas de maior. A sua família é altamente disfuncional. O seu irmão, Arthur (Richard Kind), mora na sua casa e dorme no sofá, tendo frequentes problemas com as autoridades; o seu filho Danny (Aaron Wolf) é um estudante rebelde e problemático, sempre a fumar droga e assinar em nome do pai algumas compras; já a sua filha, Sarah (Jessica McManus), rouba-lhe, frequentemente, dinheiro da sua carteira, para fazer uma plástica no nariz. Para piorar, um aluno sul coreano e o pai deste envolvem Larry num esquema de subornos no qual ele é apanhado completamente de mãos atadas e ainda há alguém que envia cartas anónimas para a escola de Larry a denunciar o seu comportamento.

Com tantas situações caricatas na sua vida e sem um rumo certo, Larry decide então pedir conselhos a três rabis que poderão ou não ajudá-lo a ultrapassar tantos problemas. E é no meio das conversas com os rabis e nesta mão cheia de problemas que os Coen desenvolvem aqui a sua obra mais divertida desde “The Great Lebowski”.

É que esta obra está tão repleta de personagens memoráveis e situação negras de humor tão simples que “Serious Man” acaba por ser um dos melhores pequenos filmes de 2010.

Para melhorar, essas personagens são interpretadas por actores sólidos que não caiem nunca no overacting e que dão uma dinâmica brilhante a um filme sempre em lume brando mas muito, mesmo muito delicioso de assistir.

Destaque final para a cinematografia de Roger Deakins que dá uma força a um filme extremamente visual, tremendamente peculiar na escrita, e fulminantemente brilhante de se assistir.

O Melhor: A cinematografia de Roger Deakins que dá uma força a um filme extremamente visual, tremendamente peculiar na escrita, e fulminantemente brilhante de se assistir.

O Pior: Demasiado simples para vencer os prémios que merecia

A Base
Um dos melhores pequenos filmes de 2010 … 9/10

Jorge Pereira

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