“2012 “

(Fotos: Divulgação)

“2012” promete ser o derradeiro filme catástrofe – e se o critério se cingisse ao acumular de calamidades e de efeitos visuais, ele seria merecedor desse troféu. Mas a verdade é que, “2012” faz mais frequentemente lembrar uma sátira do cinema catástrofe, como “Airplane” dos anos 80, do que um filme com uma real pretensão de ser interessante ou, pelo menos, emocionante.
É bom estabelecer o meu perfil nesta opinião. Eu até sou um apreciador do Rolland Emmerich como realizador. “Stargate” e, acima de tudo, “Independence Day” são dos melhores filmes de aventura dos anos 90. O segundo é, para mim, dos mais exímios e brutais filmes catástrofe. Mesmo a sua obra mais odiada, “Godzilla 1998” foi ao meu agrado pela sua ingenuidade de filme juvenil e bizarria visual.
Mas “2012” clica todos os botões errados na minha apreciação como espectador. Por um lado, as suas cenas de catástrofe (quase todas na primeira metade do filme) são grotescas, descoordenadas e, acima de tudo, descontextualizadas. O filme partilha mais do sadismo de “Final Destination” do que de um espírito humano e épico de filmes catástrofe modernos, como “Dante’s Peak” ou “The Day After Tomorrow” (este ultimo também de Emmerich). Porque durante 30 minutos “2012” destrói tudo e mais alguma coisa, e mata uma quantidade inacreditável de gente de forma humilhante. Mas acima de tudo, gente que não conhecemos. E por tal, o dramatismo de algumas das mortes precoces do filme parece absurda e, acima de tudo, lamecha de uma maneira exploratória (um exemplo disso é a morte do Presidente dos EUA e de toda a gente na Casa Branca, tratada como uma grande clímax emocional apesar de não conhecermos nenhuma das personagens).
Mas se a primeira parte do filme é desastre por desastre sem sentido nem lógica, a segunda parte é a destruição da credibilidade de Emmerich como realizador. Após a destruição dos EUA seguimos as aventuras da personagem de John Cusack (o qual cada vez parece pior actor) e da sua família em busca de uma Arca de Noé para gente rica, que irá salvar uma amostra de humanidade.
Esta inacabável hora e meia de sobra é a verdadeira calamidade. Primeiro, a aventura em causa é quase toda passada a borda de um avião, onde as personagens não saltam nem correm, mas falam muito. E depois, porque o lote quase inacabável de personagens que o filme insere neste ponto carece de carisma e desenvolvimento. Elas debatem fervorosamente ideias sobre dignidade e humanismo, e o filme evolui progressivamente para o ridículo e o aborrecido. Os últimos vinte minutos contam com um novo clímax de acção – descoordenado e muito mal conseguido, das mais entediantes lutas pela sobrevivência que já se viu num filme.
O problema é claro: Emmerich escolheu não se reinventar, mas sim apostar tudo por tudo em repetir truques passados. As personagens lançam-se vezes sem conta em longos discursos lamechas, numa duplicação exegeradíssima do feito pelo presidente interpretado por Bill Pullman em “Independence Day”. O filme aposta em criar mais cenas de desastre como havíamos visto em “The Day After Tomorrow” mas, ao contrário deste filme, a aposta é só em quantidade e nada em qualidade. A queda de prédios chega a tornar-se aborrecida em “2012”.
Emmerich é sempre alvo de grandes críticas e pouca consideração. Eu, como apreciador de “Independence Day”, “Godzilla 1998” e “The Day After Tomorrow”, terei de finalmente dizer que bem as merece.

O melhor: A destruição de Los Angeles e a sua queda no Pacífico. Arrepiante.

O pior: Uma segunda parte sofrível e uma dimensão humana que mais parece uma caricatura.
A base
“2012” conta com personagens banais num cenário de desastre tão exagerado que se torna absurdo. A dimensão humana é nula e a acção estagna na segunda metade do filme.
2/10
 
José Pedro Lopes

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