«Burning Bright» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
Kelly (Briana Evigan) é uma jovem prestes a ir para a faculdade. Depois da morte da mãe, só lhe resta completar uma tarefa. Deixar o seu irmão Johnny (Garret Dillahunt) numa escola especial, onde terá os melhores cuidados que uma criança autista pode ter. Tudo se encaminha bem, mas o cheque que a jovem passou não tem cobertura. Uma chamada para o banco e percebemos que o padrasto da jovem levantou todo o dinheiro, deixo-os sem nada. Confrontado com a situação, ele diz que o dinheiro é agora todo dele e que o gastou, comprando um tigre pois quer montar na antiga casa de campo um parque safari.
 
Pressionada pela faculdade, Kelly terá de optar, Vai-se embora e assim ter uma educação, mas deixar o irmão com o padrasto, ou ficar para sempre num local com poucas opções de carreira. Claro que o filme podia embarcar por aqui, através de uma veia dramática, mas não. Na realidade o padrasto comprou o tigre e solta-o na casa onde Kelly e Johnny estão. Como eles não podem fugir, dado que um furacão está a fustigar a área, só há uma coisa a fazer. Resistir e tentar sobreviver ao predador que há pelo menos duas semanas não é alimentado.
 
«Burning Bright» é um thriller de terror e um survival movie com algum engenho na criação de tensão. Há situações que faz lembrar «Jaws», e outras em que parece que estamos em «The Descent», dada a claustrofobia que se vive naquela casa onde o felino esta trancado. A questão do furacão adensa o estatuto de prisão, de enclausuramento das personagens e de tensão. Claro que a história é um tanto ou quanto surreal e há detalhes no argumento que fazem lembrar um certo tom novelesco, mas o filme consegue triunfar colocando-nos em sentido sempre que o tigre se aproxima das vítimas. E nesse aspecto destaque para Brian Evigan, que consegue transformar a sua personagem longe dos clichés normais do género. È que não haja dúvida. Pode haver um tigre na casa, um padrasto horrível, mas as maiores dificuldades da protagonista surgem em tentar escapar a isso tudo com uma criança autista que não faz o que ela manda, não tem noção do perigo da situação, está traumatizado com a morte da mãe e não admite qualquer contacto.
 
Por estas e por mais razões, «Burning Bright» é um filme curioso, extremamente minimalista e conseguido. Mesmo que haja alguns momentos mal conseguidos em termos de efeitos especiais, especialmente nas cenas do tigre a atacar. Mas com um orçamento tão limitado, dificilmente se conseguiria melhor.
 
Uma nota final para a presença, logo a abrir, de Meat Loaf: o vendedor do Tigre.
O Melhor: Briana Evigan, o tubo da roupa suja e o Tigre. Muito tenso
O Pior: É previsível, especialmente no final
 
A Base: Mesmo que haja alguns momentos mal conseguidos em termos de efeitos especiais, especialmente nas cenas do tigre a atacar, «Burning Bright» consegue ser tenso e criar expectativa no confronto homem vs animal…6/10
 
Jorge Pereira 

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