A história do filme mexicano «Año Bisiesto» (Leap Year) tem diversos pontos de contacto com «Gigante», uma produção uruguaia, e com «Play», um filme chileno. Todas acompanham, à sua maneira, o isolamento e alienação social das suas personagens, normalmente provenientes de zonas mais rurais e que se mudaram para as grandes cidades. Mas se o problema é o mesmo nos três filmes, as características individuais e distintas das suas personagens centrais levam a respostas diferentes na abordagem a essa questão.
Laura é uma jornalista freelancer que praticamente vive toda a sua existência confinada ao seu apartamento. É aí que trabalha, come, fala com os parentes e é aí que tem sexo com diversos homens que «engata» na rua. O seu isolamento é contrariado por mentiras que vai dizendo à sua mãe e irmão sobre os amigos que tem e sobre a sua vida social – agitada segundo ela. Porém, o que assistimos é que mais que um apartamento, aquele espaço é o seu Universo.
Um dia, Laura conhece Arturo, um homem que começa a desenvolver com ela uma relação muito apoiada no sadismo sexual. Mas se Arturo a introduz no conceito, Laura encontra nisso um escape para dores maiores: as da sua debilidade social e consequente isolamento.
Seguindo uma veia muito minimalista e com cenas sexuais por vezes explicitas, «Año Bisiexto» acaba por ser mais um estudo comportamental de uma personagem, mas também de uma sociedade e de indivíduos deslocados de tudo e que criam ilusões para tapar as suas insatisfações quotidianas.
Destaque para Mónica del Carmen , a actriz que dá vida a Laura. A sua interpretação condiciona positivamente o filme, o que associado ao tom dúbio de presa/predadora que Michael Rowe lhe coloca, transformam o seu trabalho no campo do memorável.
O Melhor: Mónica del Carmen
O Pior: Alguns clichés nas personagens masculinas.
A Base: Seguindo uma veia muito minimalista e com cenas sexuais por vezes explicitas, «Año Bisiexto» acaba por ser mais um estudo comportamental de uma personagem, mas também de uma sociedade e de indivíduos deslocados de tudo e que criam ilusões para tapar as suas insatisfações quotidianas…6/10
Jorge Pereira

