«Der Räuber» (O Assaltante) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
Baseado numa história verdadeira, «O Assaltante» (Der Räuber) segue Johann Rettenberg, um ex-condenado que se transforma em recordista austríaco da maratona, mas que ao mesmo tempo vai assaltando bancos como se de uma profissão se tratasse.
Presente no Festival de Berlim em 2010, e com a certeza que vai ter uma versão americana da sua história, esta obra de Benjamin Heisenberg é um interessante estudo comportamental de um homem terrivelmente entediado e que anseia desesperadamente por libertar a adrenalina que há em si, como se fosse uma expressão definitiva da sua liberdade, nem que para isso assalte bancos, mas mantenha um estilo de vida comum, sem grandes luxos.
Pelo meio ainda assistimos ao seu envolvimento relacional com uma mulher, naquela que se pode considerar a relação intima mais fria e distante do cinema moderno, ainda que estranhamente pareça que se conhecem e relacionam-se desde sempre.
«O Assaltante» é um bom filme, sem grandes momentos de génio, mas que nos prende com uma narrativa impensável, mas factual. Não esperem aqui grandes sequências de acção, ou um filme «heist» à americana, mas o estudo comportamental de um homem que parece deslocado de tudo. Inclusive de si. E para que isso funcione era preciso um actor capaz de carregar o peso que a sua personagem alienada exigia. Andreas Lust tem uma prestação exemplar, dando dramatismo à sua personagem quando ela precisa, e sendo credível como assaltante e maratonista quando a obra exige mais acção.
O Melhor: Andreas Lust
O Pior: É um projecto muito eficaz, mas pouco arrojado.
A Base: «O Assaltante» é um bom filme, sem grandes momentos de génio, mas que nos prende com uma narrativa impensável…7/10


Jorge Pereira
 
 
Nota: Este filme está em exibição durante o mês de Abril, aos Domingos, no Teatro do Bairro Alto (Lisboa)

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