Cheng Lai Sheung (Josie Ho) é uma mulher com um sonho. Ter uma casa com vista para o mar. Ela sabe exactamente o que quer e durante toda a sua vida ela juntou para isso. Porém, o mercado imobiliário é muito volátil, e embora ela tenha conseguido até reunir todas as verbas necessárias, os vendedores mudam de ideias e deixam-na com as mãos a abanar.
Mas isto só sabemos bem perto do fim, e embora possa ser considerado um spoiler, o filme não vive disso, ainda que nos ajude a compreender as suas motivações.
Construído a dois tempos, onde num assistimos a Sheung a assassinar pessoas de forma macabra, e no outro em que vamos percebendo as suas motivações, ‘DreamHome’ é um filme violentíssimo. Nele encontramos castrações, grávidas a abortarem, a serem assassinadas, gente com os intestinos na mão, e até uma espécie de empalamento. Curiosamente, ou não, estas situações por vezes são tão macabras e bizarras que nos custa a acreditar que o filme é baseado em factos verídicos (como no início do filme diz), sendo particularmente surreal a sequência que envolve a assassina num apartamento de uns jovens, não escapando mesmo um riso com toda a sequência de mortes.
O sexo e a nudez fazem também parte do menu deste “Dreamhouse”, um filme que consegue falar de um tema muito actual (o mercado imobiliário), de ter uma personagem bastante dramática, e ao mesmo tempo funcionar como um slasher violentíssimo com bizarras mortes num estilo muito ‘camp’.
Uma delícia para os Festivais do género, mas uma obra limitada a isso mesmo.
O Melhor: A sequência bizarra de mortes na casa de uns jovens
O Pior: Entre o sério e o campy, a verdadeira identidade do filme perde-se
A Base: No meio de um tema sério, de um drama intenso e de um slasher ‘campy’, o filme parece sofrer de esquizofrenia …6/10
Jorge Pereira

