Depois de ter explicado ontem aqui que a versão de ‘The Chameleon’ que estaria presente no Fantasporto, e inserida na Semana dos Realizadores, foi feita à revelia do cineasta Jean-Paul Salomé pelos produtores da obra, eis que hoje venho aqui para falar um pouco mais dela.
Construído de maneira linear, “The Chameleon” (versão produtores) é a tentativa de construção de um puzzle seguindo uma personagem real, e um homem que já assumiu centenas de identidades falsas.
No filme seguimos um jovem que acorda algures em França no meio de uma estrada. A polícia recolhe-o e ele avisa ser um adolescente que foi raptado (uns anos antes) nos EUA, e levado para ali à sua revelia, tendo sido no processo torturado e abusado sexualmente. Nos EUA a sua família recolhe-o com um pé atrás (com excepção da irmã), até porque o seu retorno é quase miraculoso.
Quem não vai na cantiga do milagre é o FBI, que através de uma agente (Famke Janssen) investiga a fundo a veracidade da história, tentando perceber se o retornado é mesmo quem diz ser.
“The Chameleon” é um drama com ramificações criminais, mas que por vezes parece mais uma tentativa de recriação forçada do que propriamente um verdadeiro quebra-cabeças, como tentou ser vendido a quem desconhecia a obra. Tudo no filme, como já disse antes, é muito linear e montado de maneira a que aos poucos, os parcos, ainda que importantes, segredos que existem para revelar cheguem até nós. Assim, e apesar da trama ter verdadeiras reviravoltas, estas parecem não fascinar particularmente os responsáveis pelo filme, que avançam lentamente contando os segredos, e não tentando que seja o espectador a fazer isso.
Destaque porém para os actores, em especial Ellen Barkin, que bem parece ser a versão local de uma personagem saída de ‘Winter’s Bone’. De resto, temos um protagonista (Marc-André Grondin) que não é tão camaleónico assim, e que deveria ter sido mais protegido do público, até para manter o suspense.
Como tal, “The Chameleon” é um filme curioso, ainda que a sua história se sobreponha ao arranjo cinematográfico aqui criado…
O Melhor: Ellen Barkin
O Pior: Menos tenso que devia, sendo um drama criminal com tendências e história que pediam um thriller dframático (à la ‘Winter’s Bone’)..
A Base: A história é mais interessante do que o exposto cinematograficamente…5/10

