Quando Christine recebe de herança a casa da mãe, ela e a família decidem deixar a Holanda e mudar-se para a Bélgica e ficar a viver numa verdadeira mansão. Será aí que sua filha de 9 anos, Lisa, conhece uma estranha e sinistra rapariga chamada Karen, que vive nos cantos mais escuros e remotos da velha casa. Mas será esta um fantasma, ou apenas uma amiga imaginária?
O cinema de fantasmas e crianças aterrorizadoras há muito que ultrapassou as fronteiras do cinema asiático e americano, invadindo outras paragens. Espanha, com a sua Filmax, o Reino Unido e a França podem ter sido os pioneiros na Europa, mas nos tempos que correm um pouco por todo o lado crescem as obras fantasmagóricas, que tem como cenário, casas rústicas e antigas, que só por si criam um ambiente de tensão. E por muito que se diga que o espectador está cansado destas obras, elas continuam a surgir, ora dando mais realce ao susto fácil, ora valorizando o ambiente de terror.
“Zwart Water”, do holandês Elbert van Strien, é um exemplo disso mesmo, apresentando o terror de uma forma mais atmosférica, do que propriamente no campo dos sustos – ainda que estes existam.
Assim vamos descobrindo aos poucos, os segredos por trás da casa e os acontecimentos passados que definitivamente vão abalar com os seus ocupantes.
Esteticamente apurada (e não saturada), “Zwart Water” é um bom exemplo do que o cinema europeu é capaz no que toca a suspense e terror no género, ainda que por vezes não seja suficientemente arrojado para nos arrancar da cadeira com os nervos em brasa. A ligação ao cinema asiático, e especialmente a obras como “A Tale of Two Sisters’ é por demais evidente, mas realça-se a tendência do realizador em não copiar nada desta obra coreana, mas antes encontrar alguns ‘tiques’ que credibilizam e criam mais terror para o espectador.
Uma nota final para o tridente de actores, que cumpre bem a sua função, transpondo para o espectador um desconforto que o prende até bem perto do fim. Palmas também para a cinematografia, banda-sonora e direcção artística, que ajudam a tornar este filme numa das obras de terror atmosférico mais conseguidos do cinema dos Paises Baixos. E isto num género mais que saturado de obras com este enredo…
O Melhor: A cinematografia e a direcção artística funcionam de forma brilhante
O Pior: O twist acaba por ser sub aproveitado
A Base: Esteticamente apurada (e não saturada), “Zwart Water” é um bom exemplo do que o cinema europeu é capaz no que toca a suspense…6/10
Jorge Pereira

