‘Restrepo’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
Muitos são os momentos em que assistimos a “Restrepo” sem nos lembrarmos que estamos perante um documentário real. No fundo, o estilo cinematográfico das mais recentes obras de guerra (“Green Zone, “The Hurt Locker”) transformaram a ficção numa espécie de documentário, sofrendo agora este género o facto de nos esquecermos de que aquilo que estamos a ver não é apenas um filme, é a realidade.
Filmada pelos jornalistas de guerra Tim Hetherington e Sebastian Junger (escritor de “The Perfect Storm” – que viria a ser adaptado ao cinema), “Restrepo” já chegou à TV portuguesa (National Geographic), um evento raro para um filme que venceu em Sundance o principal prémio para filme documental, e que está nomeado aos Óscares.
Na obra seguimos o destacamento de um pelotão de soldados norte-americanos no Vale de Korengal, no Afeganistão. Acompanhando 15 soldados, o espectador é introduzido na guerra de tal maneira que custa a acreditar que tudo aquilo seja real. Mas é. Intercalando missões com conversas com os soldados, “Restrepo” é um filme mais de  soldados, do que de homens, ainda que estes lá estejam sempre. Na alegria e na tristeza, especialmente quando os seus companheiros morrem em combate, numa das zonas mais complicadas da guerra no Afeganistão. As complicadas reuniões com os locais e a dificuldade em perceber quem é, ou não,  talibã, num local miserável, mesmo colados ao Paquistão, são outros dos focos do filme, que não dá pareceres sobre a guerra, limitando-se a mostrá-la e aos seus peões.
Com um interesse elevado, ainda que de forma muito unidimensional (afinal só acompanhamos um lado do campo de batalha), “Restrepo” é uma obra que quer mostrar o que a guerra é, mas que no fundo vangloria mais o que se tem feito em termos de ficção, do que propriamente como o documentário que é…
De qualquer maneira, merece uma olhadela…Mas nomeado aos Óscares?
 
O Melhor: A adrenalina e emoção de saber que tudo é mesmo real
O Pior: Um pouco convencional na forma
 
A Base:  No fundo vangloria mais o que se tem feito em termos de ficção, do que propriamente como o documentário que é…6/10
 
 
Jorge Pereira

Últimas