São raras estas obras no cinema actual, cada vez mais voltadas para o cinema romântico adolescente, pois diz o mercado que o amor adulto tem de ser sério, e por isso não existe nada de cómico nele. Puro engano de Hollywood, e este ‘Cyrus’ é a prova disso mesmo.
John (John C. Reilly) é um homem destroçado e sem qualquer ambição desde que se divorciou da sua esposa (Catherine Keener), transformada agora em melhor amiga. Quando esta decide de novo casar, John ainda fica mais deprimido, restando a Keener tentar animá-lo e levá-lo a conhecer novas pessoas.
E assim é. Levado a uma festa, denota-se a ausência de contacto social de John, que parece incapaz de manter ou iniciar uma conversa com quem quer que seja. Tudo muda quando ele fala com a deslumbrante e bem-humorada Molly (Marisa Tomei), uma mulher que o vai conquistar e com o qual se começa a relacionar.
Mas Molly tem outro homem na sua vida. Não, ela não é casada, e basicamente abdicou de todas as relações para educar Cyrus (Jonah Hill), um estranho rapaz de 21 anos que suga toda a atenção da mãe, enquanto produz musica new age.
A partir daqui começa um conflito entre John, que não está disposto a perder a oportunidade de ser feliz de novo e amar, e Cyrus, super protector em relação à mãe, e incapaz de ver outro homem na sua casa, senão ele.
Fugindo a clichés e com prestações bem conseguidas pelo tridente de actores (Reilly-Tomei-Hill), “Cyrus” acaba por ser um entretenimento diferente que demonstra o que a solidão e a ausência de objectivos provocam nas pessoas. Super carentes, estas endeusam as novas oportunidades de amarem e lutarão por isso até ao fim das vidas.
Com bons diálogos e uma química diferente, mas intensa, entre o grupo de actores, este novo filme de Jay e Mark Duplass acaba por ser uma obra bem mais interessante que 90% das formuláticas comédias românticas que invadem o cinema anualmente.
O Melhor: O tridente de actores (Reilly-Tomei-Hill)
O Pior: As personagens secundárias podiam ter mais força
A Base: Este novo filme de Jay e Mark Duplass acaba por ser uma obra bem mais interessante que 90% das formuláticas comédias românticas que invadem o cinema anualmente…7/10

