‘Reykjavik-Rotterdam’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
Produzido e actuado por Baltasar Kormakur, um cineasta que uns anos antes realizou a excêntrica obra criminal (com tons dramáticos) “Jar City”, “Reykjavik-Rotterdam” é um thriller de acção com bastante comédia passado no mundo do contrabando, seguindo Christopher (Baltasar Kormakur), um homem saturado do seu trabalho como segurança e que precisa urgentemente de dinheiro. A sua compreensiva mulher, Iris (Lilja Nott Thorarinsdottir), já o avisou que não o quer de novo detido, mas reconhece que eles não têm dinheiro para tudo o que queriam, como comprar uma casa. Pelo caminho temos ainda o melhor amigo de Chris, Steingrimur (Ingvar Sigurdsson), um homem de sucesso que noutros tempos esteve relacionado com Íris e que não descartava nova hipótese com ela. Quando o irmão de Iris se envolve com uns criminosos locais, e os leva a perderem uma mercadoria, as coisas complicam-se e Chris volta a tentar entrar no mundo do contrabando depois de uns anos antes ter sido detido e condenado pelo mesmo delito.

A partir daqui cria-se um thriller multi-dimensional e espacial. A acção passa então a decorrer num cargueiro com destino a Roterdão, onde Chris embarca mais uns colegas para um último golpe, e na Islândia, onde Íris tem de lidar com os criminosos que procuram o irmão e com Steingrimur, que não se importava nada que Chris fosse de novo detido. Aliás, não foi de todo inocente o facto de ter sido este a financiar o golpe de Chris.

É fácil entender porque Reykjavik-Rotterdam terá um remake americano, curiosamente realizado por Kormakur. Cinematograficamente a linguagem de acção não deixa nada a desejar ao cinema americano. Para além disso, há demasiadas coisas a acontecerem ao mesmo tempo, quer seja o thriller em alto mar e em Roterdão (que pelo clima faz lembrar os “Heist movies”), até ao conflito pessoal do triângulo amoroso com implicações em terra, com personagens bem definidas e em plenos conflitos interiores.

Finalmente, ainda há um humor bastante apurado e seco nas situações relatadas, sendo o seu expoente máximo quando numa garagem obscura uma das personagens tenta fugir com uma carrinha velha.

Por essas e por muitas mais razões, ‘Reykjavik-Rotterdam’ é um filme muito curioso e acessível de se ver, ainda que longe de ser um possível candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro – foi submetido pela Islândia.

O Melhor: A acção ocorre em vários sítios simultaneamente, o que dá um ritmo frenético ao filme
O Pior: Os vilões são mais estereotipados do que deviam

A Base: É fácil entender porque Reykjavik-Rotterdam terá um remake americano. O filme tem uma linguagem de acção semelhante a Hollywood e suficientes personagens negras na linha do que os Coen já mostraram…7/10

 

Jorge Pereira

Últimas