Aproveitando grande o estilo de piadas e comédia que aplica nos seus espetáculos de stand-up, Sebastian Maniscalco – que protagoniza e coescreveu o guião – não conseguiu mais neste “About My Father” (O Meu Pai é Um Perigo) que emitir e repetir as vibrações de “Meet The Parents”, não apenas pela aparição de Robert de Niro, sempre no mesmo registo quando se trata de comédias, mas porque a trama não envolve muito mais que a velha fórmula de conseguir a aprovação dos pais da companheira, enquanto se resolve alguns dilemas dentro da sua própria família.
É o tipo de filme derivativo de muitas das comédias em que Walter Matthau e Jack Lemmon brilhavam, onde um fundo emocional está por baixo de um comédia de situação e confronto de costumes, com alguns apontamentos à classe social. Isso mesmo vê-se na narração inicial, quando Sebastian fala um pouco da sua família, que emigrou da Sicília para a América, e a da companheira, pioneiros que chegaram à terra do Tio Sam bastante antes. “A minha família veio viver o sonho americano que eles criaram”, diz-nos, fazendo logo uma separação entre os dois mundos: o aristocrata anglicano e o de plebeus italianos.
Nos tempos de hoje, as coisas mudaram um pouco e as diferenças estreitaram-se, mas a “origem”, o “legado” e a “riqueza” da família da companheira continuam a pesar, pelo menos na cabeça de Sebastian, um gerente de um hotel em Chicago que se apaixona pela pintora Ellie Collins (Leslie Bibb). Filho de um cabeleireiro, Salvo (De Niro), Sebastian ambiciona conseguir a aprovação da família de Ellie, tendo no célebre feriado de 4 de julho a hipótese de chegar ao que deseja. O problema é que, para não abandonar o pai nesse feriado e conseguir convencê-lo a dar-lhe o anel de noivado que pretende entregar a Ellie, Sebastian leva o progenitor à celebração, iniciando uma sucessão de eventos que podem colocar em perigo a aceitação pelos parentes da namorada.
O que se segue, filmado da forma mais tradicional possível por Laura Terruso, é uma sucessão de gags e momentos de tensão dramática familiar ao longo de mais de 90 minutos. Os dilemas de rejeitar as raízes e “não ser o que não se é, apenas para agradar os outros” surgem naturalmente em cena, com comédia física pontualmente a acompanhar um guião que dispara piadas que podiam fazer completamente parte de uma das rotinas de stand-up do comediante.
Por tal, e estando já o espectador na silly season habitual do verão cinematográfico, sabemos exatamente o que esta comédia nos fornece, novamente pela comparação a “Meet The Parents”, sobressaindo a mensagem do sermos fiéis a si e aos pais que se sacrificaram muito para estarmos onde estamos. Nesse aspeto, e dado o tom de “imigrante” frequentemente sublinhado durante o filme, é impossível não nos lembrarmos de “A Gaiola Dourada”, mas com muito menos ternura e mais artificialismo algorítmico.
















