Depois de passar nos ecrãs do Festival de Toronto, no Canadá, e no Festival do Rio, “The Menu” (O Menu), de Mark Mylod (um craque na realização de séries de TV como “Succession“), foi servido como prato principal do almoço de uma tarde de sábado em Mar Del Plata, na sessão ao meio-dia, com a plateia abarrotando o Cine Amabassador até aos limites.
Foi aplaudido com ardor à altura de sua natureza pop, com reviravoltas do guião a cada 15 minutos e sequências de horror gráfico na medida da boa digestão. Ralph Fiennes é a cereja desta torta que aparenta ser caviar, mas não passa de um fiambre daqueles que se compra no supermercado, em promoção. Parece ser um fino tratado sobre a luta de classes em forma de “Master Chef” – um dos reality shows mais queridos e imitados da televisão. Mas essa sua aparência cai por terra rapidamente, quando a trama não consegue sustentar a filosofia política gratinada que o seu produtor, o Adam Mckay de “Vice” e “Não Olhem Para Cima“, tenta oferecer à plateia. Tudo se resume a um “filme de monstro” (no caso, o chef vivido por Fiennes), que desce agradável como um hambúrguer de fast food, mas do qual logo se esquece.
Fiennes esbanja carisma e maldade (como fez no genial “Red Dragon“, há 20 anos) ao compor a sinistra figura de Slowik. É um ás da cozinha, hábil com reduções de azeite balsâmico e carnes das mais variadas, que leva uma fortuna por jantares num restaurante de uma área insular, onde só se chega de barco. Lá, ele reúne a malta mais rica dos EUA, entre eles um jovem entusiasta de bom garfo (Nicholas Hout), que leva uma amante de origens pobres, Margot (a sempre afiada Anya Taylor-Joy), para se empapuçar de iguarias. Mas a cada prato, Slowik promove um ritual macabro de violência, sempre jogando com informações secretas dos seus clientes. Quem fala mal do seu espetáculo pré-comilança, perde um dedo, literalmente.
Cada performance de Slowik (Ralph Fiennes) abre espaço para um debate marxista. Inicialmente, esta estratégia soa provocante, mas cansa conforme Mylod dá sinais de não conseguir ir além de uma leitura superficial da dialética, resvalando em algo que parece “‘O Capital‘ for Dummies”. Fiennes faz o que pode para disfarçar isso, dando a Slowik uma persona assombrosa. É um trabalho de ator dos mais viçosos. Mas as demais personagens que o cercam carecem de tridimensionalidade. Até Margot soa rasa, apesar do esforço de Anya. O que nos sobra como sobremesa estética é a requintada fotografia de Peter Deming.




















