É difícil não nos lembrarmos de “Em Busca da Esmeralda Perdida” e a sua sequela, “A Jóia do Nilo”, quando falamos de “The Lost City of D”, uma obra tem no starpower dos seus protagonistas e convidados tudo o que de melhor há em si, fracassando em todas as suas dimensões: ação, aventura, comédia e romance.

Tal como no filme de 1984, “Romancing the Stone” no título original, no centro do turbilhão está uma romancista. Sandra Bullock faz a vez de Kathleen Turner, mas em vez de procurar romance, ela tenta apenas por um travão ao pragmatismo que todos à sua volta se queixam. A ação do filme começa num evento onde a escritora partilha o palco com o modelo de capa do seu livro (Channing Tatum), até que um sequestro por parte de um vilão muito genérico (Daniel Radcliffe) leva a dupla por uma estranha aventura na selva. O humor e o romance são os elementos chave desta travessia, com a ação – pouco elaborada – a surgir maioritariamente para unir e desunir o casal da equação. 

Uma participação especial de Brad Pitt enriquece este pedaço de cinema industrial dependente dos cameos, mas toda a fraqueza das personagens, dos heróis aos vilões, além de inúmeros MacGuffins sem imaginação, arruínam uma experiência que se diz ser para o grande ecrã, mas que efetivamente podia ser exibida em qualquer lado.

No mais, se a vertente técnica do projeto existe uma certa harmonia (design produção, guarda-roupa, fotografia), embora visualmente seja pouco atraente para um objeto cinemático que se quer exótico, é no miolo narrativo que o filme mostra toda a sua desinspiração e falta de coesão, nem conseguindo atingir a pobre fasquia do filme de domingo à tarde (coisa que pelo menos “Jungle Cruise – A Maldição nos Confins da Selva” era).

Pontuação Geral
Jorge Pereira
sandra-bullock-e-channing-tatum-nao-chegam-para-salvar-the-lost-city-of-d O filme tem no starpower dos seus protagonistas e convidados tudo o que de melhor há em si, fracassando em todas as suas dimensões: ação, aventura, comédia e romance.