Talvez sejam os avanços da IA, que agora também opinam sobre os guiões escritos para as majors, mas as sequelas, reboots ou requels (como agora lhe chamam e funcionam como um misto de tudo) parecem ter acertado no algoritmo do gosto da crítica cinematográfica minada pelo fandom, utilizando como isco de eleição fórmulas meta fílmicas alegadamente “inteligentes” para capturar um tipo de público que naturalmente se afasta de produtos serializados que essencialmente replicam o original.

É que já passaram 26 anos desde que a saga iniciada pelo falecido Wes Craven chegou às salas. Revitalizando o género de horror de forma semelhante ao que “Halloween” (1978) fez na segunda metade dos anos 70, o sucesso de “Scream” gerou toda uma nova vaga de novos filmes destinados a adolescentes e jovens adultos (pense-se em “I Know what you did last Summer” ou “Final Destination“), misturando cenas assustadoras carregadas de gore com momentos de sátira e desconstrução dos clichês dos filmes de horror. Com um elenco marcante, onde se destacava Neve Campbell, que gerou tal empatia que acompanhou as sequelas até hoje, o primeiro filme de Craven conseguiu algo que este “Scream 5” revela uma total ausência: a existência de verdadeiros sustos e imprevisibilidade.

E isso pode-se ver pela abertura do novo filme, que tal como os anteriores, implica a replicação (mais uma vez) da famosa cena de Drew Barrymore em 1996, contemporizando-a à era de telemóveis, redes sociais e sistemas avançados de proteção do lar.

Porém, o resto que se segue é também mais do mesmo. O lado meta característico do original mantém-se intacto e agora até é renovado com piadas a novas terminologias (requels, elevated horror, etc). Além disso, vemos regressar personagens antigas, agora ao lado de novas, fazendo a transição das velhas audiências para as novas, abrindo-se assim novamente um filão para que exista continuidade, enquanto o mercado deixar.

E mercado é aqui a palavra chave, juntamente com o “isco” para a crítica, como que a anestesiar a chegada de mais uma entrada na franquia totalmente escusada. Na verdade, “Scream 5” é dos exemplos mercantilistas que temos desta era de busca de “conteúdos”. 

Repetem-se fórmulas, não se inova particularmente quase nada, nem se aposta nas personagens (apenas Jenna Ortega mostra valor), mas adorna-se o conteúdo com humor para o estudioso da conduta da indústria cinematográfica atual se deleitar entre a nostalgia e conhecimento. E neste ponto, “Scream 5” falha onde por exemplo “Os Caça-Fantasmas” acertou no seu regresso recente. E ambos os filmes são comparáveis, pois são as tais requels que tanto se fala, partindo igualmente de pressupostos de homenagem a Wes Craven e Harold Ramis, respetivamente.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
scream-5-no-reino-das-requelsRepetem-se fórmulas, não se inova particularmente quase nada, nem se aposta nas personagens, mas adorna-se o conteúdo com humor para o estudioso da conduta da indústria cinematográfica atual se deleitar entre a nostalgia e conhecimento.