Sundance 2012: Robert Redford fala da crise, da paralisia dos governos mas mostra um festival bem ativo

(Fotos: Divulgação)
(da esquerda para a direita) John Cooper, Keri Putnam e Robert Redford 


O Festival de Sundance 2012 já começou e Keri Putnam (Diretora Executiva do Instituto de Sundance), Robert Redford (Fundador e Presidente do Instituto de Sundance) e John Cooper (Diretor da Programação do Festival de Sundance) deram a habitual conferência de imprensa de abertura do certame, aproveitando assim para falar dos objetivos do Festival e o que podemos esperar dele.
 
Logo a abrir, e antes de qualquer questão, Redford começou por salientar a crise que assola o mundo de hoje e a forma «paralisada com que o governo norte-americano tem lidado com a situação». Em contraste, o presidente e fundador do Festival  (nos moldes em que ele acontece hoje em dia) afirma que em Sundance não existe a mesma atitude de dormência e que o evento continua a procurar ajudar os cineastas, não só na divulgação das obras, mas também no apoio à estrutura criativa destes.
 
Sendo uma organização sem fins lucrativos. Putman salientou a importância dos patrocínios, «num país onde o congresso recusa-se a apoiar a cultura», acrescentou Redford. E nesse aspeto, o ator e realizador confidencia aos jornalistas a influencia que a Europa, e o facto de em jovem ter vivido em Itália,  teve na sua formação e na forma de ver as artes, tendo consciência que Sundance executa muito do trabalho que o governo deveria fazer  – sendo o festival uma mera  extensão do trabalho que o Instituto de Sundance executa,  especialmente no apoio a filmes e aos projetos através do seu «Laboratório». Como tal, e como no ano passado, Redford tenta estabelecer bem a diferença entre Sundance, um local a alguns quilómetros de onde eles estão, e Park City, na área metropolitana de Salt Lake City, onde ocorre o Festival.  
 
 
Egyptian Theatre, em Park City
 
Cooper concorda com a visão do que os cineastas são o mais importante, a plataforma base do festival,  e por isso mesmo as escolhas recaiem sobre muitos que venderam tudo o que tinham para poder fazer os filmes que agora serão apresentados.  Nesse aspeto, todos agradecem o fenómeno da globalização artística, mas condenam a pirataria que afeta especialmente os cineastas independentes já de si com poucos recursos. Ainda assim nenhum se aventurou numa solução, preferindo um certo silêncio, mas sempre demonstrando que o autor, cineasta ou produtor, tem de ser defendido e que o certame existe para eles exporem as suas obras, acabando com aquilo que apelidam de filmes órfãos – aqueles  que não encontram distribuidor e que há anos atrás se perdiam com o tempo. Mas para manter toda esse espírito de Sundance, Redford transmite a todos os que concorrem que devem  fazer as suas obras por amor e não dinheiro.
 
{xtypo_quote_left}existem muitas pressões e muita gente que vem para Sundance com uma agenda muito própria {/xtypo_quote_left}E tal como no ano transato, Redford mostrou também uma certa nostalgia em relação aos tempos idos, especialmente no inicio quando o festival era um mero desconhecido no panorama do cinema e quase não tinha publico. Nesse tempo, ele lembra, muitas vezes estava só ele e os cineastas no único cinema onde decorria o festival. «Eram tempos muito divertidos». Apesar de mostrar-se feliz pelo crescimento do certame e da importância que ele representa para tantos cineastas, o medo do «hype» em torno do evento acompanha-o sempre. «Não critico, mas os cineastas têm de manter os pés na terra.». Para ele, essa é mesmo a maior dificuldade com que lida desde sempre: o do festival manter a sua identidade e marcar a sua posição. «Até porque existem muitas pressões e muita gente que vem para Sundance com uma agenda muito própria». Ainda assim, e mesmo com a azáfama que o vai consumir nos próximos  dias, Redford não tem duvidas que os documentários no certame são o que mais o entusiasma.
 
O Festival de Sundance começou ontem e vai prolongar-se até ao dia 29 de janeiro. Podem seguir a cobertura do c7nema num canal específico para o evento.

Kevin Morris, em Park City

Foto: Calvin Knight

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