The Flight Attendant: comédia de mistério voa a baixa altitude

(Fotos: Divulgação)

Kaley Cuoco, de “A Teoria do Big Bang“, protagoniza a nova comédia de mistério da HBO, uma série limitada que adapta um romance de Chris Bohjalian sobre uma comissária de bordo, Cassie, que após flertar com um passageiro de primeira classe (Michiel Huisman, de “Guerra dos Tronos”) num voo para Banguecoque, passa a noite com ele e acorda com o homem morto ao seu lado. 

Se inicialmente o espírito solarengo e libertino – “New York Style” – promete um “Sexo e a Cidade”  a alta rotação pop e promessas vãs de entrar no “mile-high club”, com flertes e diversão em bloco, rapidamente entramos por campos do mistério policial, da fórmula tradicional de Hitchcock, não apenas com foco no crime (a protagonista não tem memórias dessa noite), mas também a nível psicológico (reconstrução de memória e regresso a traumas passados) de uma mulher que se vê arrastada para uma situação tão insólita como macabra.

Porém, pensando em séries, como “Marcella”, por exemplo, onde também andávamos às voltas com o que aconteceu com a personagem-título e o seu papel no meio de um crime, deste lado encontramos um projeto totalmente rotinado para a comédia ligeira e passageira, principalmente orientada para a protagonista que não funciona bem sob pressão e que toma decisões atrás de decisões, praticamente todas erradas, que a vão colocar na mira das forças da lei.

Cuoco cumpre o seu desígnio: o de representar uma rapariga tragicómica (“Fucked up girl“, como se define), com um eventual problema de adição, que vive intensamente cada dia de forma livre, mas que terá de confrontar o passado para entender o presente e completar o puzzle da noite do crime. 

Rosie Perez e Kaley Cuoco

Já Michiel Huisman, reduzido a pequenas aparições esporádicas em jeito de maldição despertada pelo inconsciente de Cassie, desilude, enquanto as outras personagens secundárias povoam a narrativa sem entregar algo de substancial para elevar o conceito. Salva-se – de alguma forma  – a advogada de Cassie, interpretada por Zosia Mamet, uma extensão de Cassie bem mais madura, mas no meio de nomes como Rosie Perez, como uma colega de trabalho da protagonista, e Michelle Gomez, como uma misteriosa personagem, até isso surpreende, e não no bom sentido.

Assim, nos primeiros quatro episódios – a que tivemos acesso – de um total de oito, “The Flight Attendant” não agarra para além do programa rotineiro de diversão light e tonto que nesta época de entretenimento em massa passará ao lado da nossa memória em Mach 3, ou seja, a velocidade supersónica.

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