7 Momentos “à lá Leonard Cohen” no Cinema

(Fotos: Divulgação)

 

A voz, a letra, a melodia, o homem por detrás de algumas canções mais memoráveis do nosso tempo. Leonard Cohen deixou-nos, mas não totalmente, para trás temos um infinito legado de contribuições cinematográficas, singles que fizeram parte de bandas sonoras, assim como apogeus da emocionalidade cinematográfica. As sua músicas foram as palavras não ditas, os sentimentos não demonstrados e a articulação necessária das suas personagens. O C7nema recorda 7 das suas contribuições mais memóraveis …

 

The Ernie Game (1967)

Leonard Cohen faz uma aparição em The Ernie Game, a história de um homem mentalmente perturbado forçado a cometer actos criminosos. Neste filme de Don Owen, o nosso músico surge interpretando The Stranger, um estranho num filme que envolve-se na própria estranheza do seu protagonista. 

 

Querido Diário (1993)

I’m Your Man” é o single que acompanha a viagem de Nanni Moretti em uma Roma fora dos circuitos turísticos. Deslocando-se na sua vespa, em Caro Diario, um dos filmes mais impares da carreira de tão politicamente ácido realizador italiano, a música de Leonard Cohen resulta como uma afirmação máscula perante uma cidade representada como a matriarca da civilização ocidental.

 

Assassinos Natos (1994) 

Provavelmente, o mais “cohenesco” dos filmes, Natural Born Killers, de Oliver Stone (baseado numa história de Quentin Tarantino), foi considerado por muitos anos, um dos filmes mais politicamente incorrectos dos anos 90. Uma crítica ao mediatismo dos medias, e a sua insaciável sede por violência, embrulham este conto de um casal de assassinos, cujo amor de ambos prevalece sob qualquer moralismo. Para além dos créditos iniciais com Waiting for a Miracle, Leonard Cohen ainda colaborou com The Future e Anthem

 

Exótica (1994)

Um dos trabalhos mais célebres de Atom Egoyan contou com um momento “à lá Leonard Cohen“. Trata-se de Exotica, um filme sobre fantasias alternativas, escapes aos nossos profundos pesares, em que a música de Cohen, “Everybody Knows“, assenta que nem uma luva ao luto recíproco do protagonista. O espectador conhece o seu sofrimento, e a dança desta bailarina do clube nocturno Exótica é uma interacção com estes fantasmas interiores. Até porque todos sabem. 

 

Watchmen: Os Guardiões (2009)

Para muitos a sequência é hilariante, para outros é inspiradora e atmosférica para a acção decorrida em Watchmen. Este julgamento, tem como derivação a nossa própria apreciação ao cinema de Zack Snyder (um autor de uma Hollywood tecnológica). O sexo mais que antecipado é descrito como um erotismo satírica, visualmente a relembrar a pop culture dos anos 80 ou do golden age da pornografia em 70, mas é a música algo imprevisível de Cohen que atribui o tom paródico desta mesma cena de sexo há muito procrastinado. 

 

Félix et Meira (2014) 

A música é a libertação imaginária de qualquer regime opressivo, Meira (Hadas Yaron) vive em constante luta contra essa educação hereditária, a cultura ultra-ortodoxa judaica que a integra, uma prisão imaginária onde só os acordes musicais a fazem antever qualquer sopro de liberdade. Sister Rosetta Tharpe também tem um papel decisivo nas emoções da nossa protagonista, mas é em Leonard Cohen que sentimos o quanto a vida passa-nos ao lado. 

 

A Espera (2015)

Que música mais indicada para um filme sobre a “espera” que Waiting for a Miracle. A obra de Piero Messina, L’Atessa (A Espera), encanta-nos com um momento musical sob a voz de Leonardo Cohen, para além de uma câmara que se move de modo réptiliano pelo espaço, os atores expressam, não através das palavras, mas de uma linguagem corporal que disfarça a sua intrínseca tristeza, porém, que não ilude totalmente o espectador. A troca de olhares entre as atrizes Juliette Binoche e Lou de Laâge, revelam a existência de assuntos pendentes. Um filme onde as palavras não são par para as imagens, onde a letra de Cohen, mesmo assim, contagia o enredo de forma “milagrosa“.

 

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