Já a entrar nos últimos dias da Monstra, o público aumenta sempre no final da semana. Para os que ainda possam estar hesitantes, a Monstra dá a oportunidade para cada adulto poder levar duas crianças grátis para as sessões Pais e Filhos em várias sessões no São Jorge este Sábado e Domingo (os detalhes estão no site da Monstra.
O dia começou com mais uma sessão da Competição de Estudantes (só faltou uma para ficar completa) que ficou marcada pela excelência de “Swing of Change”, onde um barbeiro segregacionista é transformado pela música de um trompete; menos impressionantes, mas também interessantes, “Julia und der Schrecken”, a história de uma criança contra o Medo que se esconde em qualquer canto escuro, “Coast Warning”, uma história de amor entre duas pessoas tímidas, “Khatarnak Khai”, uma piada que parece provar que Sartre tinha razão e “o Inferno são as outras pessoas”, “Der Besuch”, onde uma senhora idosa tem dificuldade em ser levada a sério pelo filho paternalista e a louca animação coreana “Serenade”, onde pessoas-animais se perdem na cidade à procura de outros que aí se perderam.
Na segunda sessão, um clássico da animação italiana “Allegro non troppo”, um filme de 76, imerso na contra-cultura, uma paródia de “Fantasia” de Walt Disney. Sempre com temas de autoridade e de repressão, o filme é construído à volta do conceito de um espetáculo onde peças de música clássica conhecidas são animadas. Há algo de muito datado neste filme, na atitude que na altura seria irreverente, mas que agora nos parece canhestra e mesmo kitsch, e na contradição do anti-autoritarismo associado a um elitismo cultural que se pretende didático para as massas. Ainda assim, há peças neste filme que resultam muito bem e a animação é interessante o suficiente que justifique a sua visualização em cinema.
Para terminar, na secção dedicada aos Óscares organizada por Ron Diamond, uma sessão constituída exclusivamente por filmes premiados. Como seria de esperar, todos eles perfeitos, todos eles exemplos do que se pode fazer com a animação, quer a nível narrativo, quer a nível técnico. Se nem sempre os Óscares têm credibilidade no que toca a longas metragens, neste caso a seleccção efetuada garantiu que todos os filmes aqui tinham a excelência que merecia o prémio. Como seria de esperar, muitos destes filmes vão aparecendo de tempos a tempos no facebook, espalhando-se em ondas de forma viral. Para quem queira brilhar nas redes sociais, consultar o programa desta sessão garante pelo menos 8 filmes que devem agradar a várias pessoas.
João Miranda

