Fantasporto 2012: O Balanço Final

(Fotos: Divulgação)

Chega ao fim mais um Fantasporto e o balanço da edição de 2012 é inquestionavelmente positivo. Especialmente se tivermos em consideração as dificuldades económicas e conjunturais que o festival enfrentou.

A identidade do festival tem sido muito posta em causa nos últimos anos, e parece que esta edição conseguiu responder com clareza a se o Fantasporto é um festival de cinema independente ou um festival de cinema fantástico. A resposta foi que é claramente ambos.

A Semana dos Realizadores trouxe até ao Porto grandes filmes, como ‘Avé’, ‘Rose’ ou ‘Guilty of Romance’ – isto complementado com filmes em panorama como ‘Shame’ e ‘This Must be the Place’. Na frente do fantástico, o Fantas ofereceu o melhor fantástico europeu com obras como ‘Hell’, ‘Juan de los Muertos’, ‘Lobos de Arga’ e ‘Attack the Block’. Até na frente “choque” o Fantas trouxe dois dos filmes mais “complicados” do ano passado e que não teriam lugar em nenhum outro certame nacional, como ‘Meat’ e ‘The Bunny Game’.

Apesar de perda da importante secção “Orient Express”, o Fantas mostrou uma programação mais consistente e mais interessante que nas últimas duas edições – e também mais capaz em termos de apelo a um público mais amplo (as sessões tinha muito mais gente que nos anos anteriores).

Considerando a falta de alternativas ao circuito mainstream na cidade do Porto (onde apenas o Teatro Campo Alegre se situa fora de um shopping), o Fantasporto veio mais do que nunca assumir o papel de oferecer durante 2 semanas na cidade o que as salas já não oferecem durante o ano todo.

Num panorama mais global, e intencionalmente evitando qualquer tipo de comparação (as quais eu pessoalmente considero provincianas e contra-producentes, considerando vivermos num país pequeno e muito pobre em termos de oferta cultural), o Fantasporto consolida assim o seu papel de evento essencial e incontornável do cinema no nosso país, com uma importância tão acentuada a nível local como nacional.

Na frente nacional, o festival continua a não funcionar. As sessões de curtas nacionais (agora com uma competição de curtas em estreia) não têm relevância nem destaque, ficando a sensação que estes deveriam passar a ser exibidas antes das longas para terem público mais diverso. Nas longas, a retrospectiva de António Pedro Vasconcelos e a estreia de “A Moral Conjugal” de Artur Serra Araújo foram adições de valor mas não muito dentro do espírito independente/fantástico do festival (especialmente a primeira).
 
José Pedro Lopes

Últimas