Decorreu ontem no Rivoli a entrega dos Prémios da edição 2012 do Fantasporto. Aqui ficam os momentos altos dessa cerimónia
Prémio Carreira a António Pedro Vasconcelos
António Pedro Vasconcelos
Um dos momentos altos da noite foi a entrega do prémio carreira a António Pedro Vasconcelos. Um dos cineastas portugueses mais bem sucedidos em termos de bilheteira da história do nosso país, Vasconcelos decidiu partilhar os prémios com Artur Serra Araújo e todos os outros cineastas que nunca foram financiados pelo ICA, mas mesmo assim continuaram a fazer filmes. No seu discurso de agradecimento lançou duríssimas críticas ao ICA, recordando que era um sistema “herdado dos tempos do Estado Novo, com mentalidade de ditadura” e recordou que “não é função do Estado decidir que filmes são ou não feitos, mas sim fazer com que estes consigam chegar às pessoas e estes os consigam ver”. A sua crítica estendeu-se à constatação que em Portugal o ICA financia a produção de filmes mas nada faz para combater o total desinteressante do público pelos filmes, os quais também não chegam à maioria das salas, sendo difíceis de encontrar.
Prémio Carreira Mike Hodges
Mike Hodges também subiu ao palco para receber o prémio de carreira do Fantas. O veterano realizador inglês de filmes como “Get Carter” e “Flash Gordon” enalteceu o Fantasporto e comentou a arte do cinema como um terreno de eterna imprevisibilidade. Ele recordou como Dino DeLaurentis, produtor de “Flash Gordon“, certo dia lhe respondeu que o escolheu para realizar o custoso filme de super-heróis porque “tinha uma cara simpática“.
Prémios da Semana dos Realizadores
Artur Serra Araújo
O prémio especial do juri foi para “A Moral Conjugal”, segunda longa-metragem de Artur Serra Araújo que agradeceu o seu produtor e ao “público do Fantasporto que deu ao nosso filme uma fantástica sessão de estreia“.
Prémio Cinema Fantástico
Tim Fehlbaum
O alemão Tim Fehlbaum foi o grande vencedor da noite recebendo o Grande Prémio do Fantasporto 2012 por “Hell” e também o de melhor actriz, em nome de Hannah Herzsprung. O jovem realizador mostrou-se feliz por ser o seu 1º filme vencer aquele que é “um dos maiores festivais de cinema do mundo e uma referência para mim enquanto preparava o filme”.
O Discurso de Encerramento
António Reis, Mário Dorminsky e Beatriz Pacheco Pereira
Antes de “This Must Be the Place”, o trio organizador do Fantasporto (Mário Dorminsky, Beatriz Pacheco Pereira e António Reis) ainda subiram ao palco para o já habitual discurso de encerramento. Dorminsky voltou a frisar os pontos habituais mas com uma ênfase bem mais positiva do que em fechos de anos anteriores. O lado mais conhecido do Fantas enalteceu o público do cidade do Porto, por se ter envolvido tanto no festival ,e nas suas actividades paralelas, e toda a iniciativa privada que tornou o evento possível.
José Pedro Lopes
Fotos: Ana Almeida (Anexo 82)