Morreu na passada quarta-feira em Paris, vítima de doença prolongada, o cineasta Claude Miller.
Nascido na capital francesa a 20 fevereiro de 1942, Miller começou os estudos de cinema em 1962, tendo a sua primeira experiência como diretor no departamento de cinema do Exército francês. Entre 1965 e 1974, o cineasta trabalhou como assistente para muitos dos cineastas da Nouvelle Vague, como Robert Bresson e Jean-Luc Godard, mas o seu grande mentor e influência acabou por ser François Truffaut , com quem colaborou como argumentista.
A sua primeira indicação aos César (o chamado Óscar francês) surgiu em 1977 com «La Meilleure Façon de marcher». No ano seguinte repetiu a nomeação no que toca a Melhor Realizador com o filme «Amor Impossível» e em 1982 foi a vez de «Sem Culpa Formada» ter também algumas nomeações ao mais importante prémio gaulês.
Em 1984, quando morreu Truffaut, Miller assumiu a direção de «A pequena ladra», filme que viria também a ser nomeado aos Césars em 1989.
Entre outras obras na sua carreira, destaque ainda para «A Acompanhante» (1992), « La classe de neige» (1998), vencedor do Prémio Especial do Júri no Festival de Cannes, «La chambre des magiciennes»(2000), prémio FIPRESCI em Berlim, e «A pequena Lili» (2003), também presente na seleção oficial do Festival de Cannes.
O seu último trabalho data de 2012 e é o filme «Thérèse Desqueyroux» (ainda inédito), protagonizado por Audrey Tautou, Gilles Lellouche e Anaïs Demoustier. A obra desenrola-se no final da década de 1920. Aí, Thérèse casa-se com o seu vizinho, Bernard Desqueyroux, juntando as propriedades e ficando com um terreno vasto. Bernard tolera a forte personalidade da mulher, mas é bastante limitado intelectualmente e Thérèse vê-se sufocada por uma aborrecida vida provinciana enquanto sonha com Paris e a cultura. Aquilo que começa por um engano, acaba numa tentativa de envenenar o marido. Caída em desgraça aos olhos de todos da sua família e da família do marido ela ainda terá de lidar com a justiça.
Jorge Pereira

