Sangue e paixão: a trágica história (da produção) de «Manolete»

(Fotos: Divulgação)

Biografia do famoso toureiro espanhol Manuel Sanchez, conhecido como Manolete. Um verdadeiro ícone na Espanha dos anos 40, dura época em que o país vizinho vivia a ressaca da Guerra Civil e necessitava urgentemente de heróis, Manolete (Adrien Brody) tem uma relação conturbada com a atriz Lupe Sino (Penélope Cruz). Ou, conforme explicou o realizador Menno Meyjes, todos os toureiros são, de certa maneira, “apaixonados” pela morte – e Lupe Sino tenta resgatá-lo para a vida.

Verdadeira tourada foi a produção deste filme, que custou € 20 milhões, um valor altíssimo para os padrões espanhóis. Com as filmagens terminadas há seis anos atrás, a obra só teve seu primeiro lançamento em 2008, em França – onde, para além de atrair um público muito pequeno, foi completamente destroçada pelos críticos. Depois de exibido em mais alguns países europeus, foi lançado nos Estados Unidos diretamente para o Video On Demand, buscando público através da atração do seu par de protagonistas – uma vez que este atrativo não tinha suficiente para que as distribuidoras de cinema quisessem exibir a obra em sala.

No seu país natal as coisas também não correram bem. Devido às dívidas adquiridas por uma das empresas envolvidas no projeto, o lançamento da obra foi embargada judicialmente até 2011. Há três meses “Manolete”, que a estas alturas já havia adquirido no seu país o estatuto de “maldito”, foi exibido em apenas 50 salas (número pequeno para uma produção deste porte). Em termos de crítica, novamente correu mal. Para o El País, por exemplo, “o filme não é maldito, é apenas mau”. E esta foi uma das suas melhores críticas… E, como um mal nunca vem só, uma associação anti-touradas desencadeou um protesto solicitando o boicote do filme – por considerar que o filme transforma um matador num herói.

De conferir (ou não) o resultado disto tudo. Nem Adrien Brody nem Penélope Cruz tinham, na altura da realização deste filme, ganho os seus Oscars, respetivamente por “O Pianista” e “Vicky Cristina Barcelona”

No caso do realizador holandês Menno Meyjes, a sua consagração como argumentista não acompanhou a sua sorte como realizador. Ele foi o escritor de filmes de três filmes de Steven Spielberg: “A Cor Púrpura” (pelo qual foi nomeado ao Oscar), “Império do Sol” e “ Indiana Jones e a Última Cruzada” –  para além de “Estado de Sítio”, com Denzel Washington.

Como realizador, foi responsável por mais dois filmes além deste: “Max – Máximo Poder” (2002) e “O Pequeno Marciano” (2007) – ambos com John Cusack no papel principal. Seu último trabalho como argumentista foi o novo trabalho de Jean-Jacques Annaud, “Black Gold”, ainda inédito em Portugal. Na realização, busca a reabilitação com um trabalho no seu país natal, a Holanda. “Het Diner” será lançado em outubro de 2013.

 {xtypo_rounded2}
 
http://www.youtube.com/watch?v=IOXGGvWU0_Q 
Realização: Menno Meyjes
Elenco: Adrien Brody, Penélope Cruz, Nacho Aldeguer. Espanha, Inglaterra, EUA, Alemanha, 2008.  {/xtypo_rounded2}

Últimas