«Extremely Loud and Incredibly Close» (Extremamente Alto, Incrivelmente Perto) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

É curioso perceber o caminho traçado por “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”, o novo filme de Stephen Daldry responsável por “Billy Elliot”, “As Horas” e por “O Leitor”. Inicialmente tratado como um dos mais expetáveis filmes do ano, e favorito aos prémios, acabaria ser friamente recebido pela crítica, e a sua inclusão nos Oscars, nomeadamente na categoria de Melhor Filme, acaba por se tornar numa das maiores surpresas das nomeações.

Baseado no livro homónimo de Jonathan Safran Foer, “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto” segue o jovem Oskar, um miúdo brilhante a muitos níveis mas com dificuldades de interação social, e que vive sob o enorme trauma de ter perdido o pai no 11 de Setembro. Um dia encontra, nas coisas do pai, uma chave misteriosa e resolve embarcar numa cruzada de descoberta do significado daquela chave, e do que ela abre.

Em todo o filme se nota o emocional, e a ferida ainda aberta pelo 11 de Setembro, e nomeadamente pelas famílias das vítimas quando se identificam como tal. Por isso, e embora o filme tente puxar especialmente para o lado emotivo, temos uma tragédia, uma criança e um velhinho, todos preparados para as maiores emocões. No entanto, o filme acaba por falhar neste ponto de criar laços com o espectador, sobretudo pelo fato de não conseguir ser tão transversal como “Cavalo de Guerra”, o grande “derramador de lágrimas” da temporada.

“Extremamente Alto, Incrivelmente Perto” acaba por ser no seu todo carregado de altos e baixos. Não só na história em si, carregada de pontos interessantes que são alternados com encontros e momentos genuinamente aborrecidos. Bem como dos personagens, com o pequeno Oskar a conseguir ser várias vezes irritante, em detrimento de digno de compaixão e pena.

De resto, o elenco inclui nomes de topo como Tom Hanks, Sandra Bullock, Viola Davis e John Goodman, mas nenhum deles tem tempo de antena suficiente na história para conseguir “provar” seja o que for. Quanto à nomeação de Max Von Sydow para Melhor Ator Secundário, e num ano em que as palavras parecem ter perdido “força” acaba por fazer algum sentido.

No final, e quem esperava um enorme “twist” que resolvesse o mistério, pode sair enganado. “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”, é um drama a espaços intenso sobre a perda, e até a culpa e sobre a forma que cada um tem de lidar com ela. Tendo aqui o intenso e sofrível 11 de Setembro como pano de fundo. No geral, o maior problema deste filme é deixar-nos no ar a sensação de que quer aparentar ser mais do que na realidade é.
 
O Melhor: Acaba por ter momentos brilhantes.
O Pior: A sensação de ser um filme que se arma em bom.
 
 
 Carla Calheiros
 

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