James Watkins
Estreia hoje em Portugal o filme de terror «A Mulher de Negro», o primeiro papel no cinema de Daniel Radcliffe após o fim da era “Harry Potter”.
Baseado no romance de Susan Hill com o mesmo nome, o filme segue um jovem advogado chamado Arthur Kipps (Radcliffe) que viaja até uma vila remota para organizar uns papéis de um cliente seu recém-falecido. No entanto, e chegado a casa deste, ele irá encontrar o fantasma de uma mulher que procura vingança.
O trailer de “The Woman in Black” revela imagens assustadores e muito suspense, prometendo um filme de sustos com apelo para o grande público (quer pela presença de Radcliffe, quer pela sua classificação etária de PG-13, o que implica ser um filme de fantasmas isento de violência).
Esta co-produção britânica/americana vem realizada por um dos nomes mais activos do cinema fantástico inglês contemporâneo: James Watkins. O realizador de 33 anos estreou-se na realização em 2008 com ‘Eden Lake’ (Lago Perfeito, que estreou no Fantasporto 2009 e que contava com os poucos conhecidos (na altura) Kelly Reilly e Michael Fassbender), um ‘thriller’ violentíssimo sobre um casal da cidade que enfrenta um grupo de hoodies do interior (um tema que se veio a tornar moda nos anos seguintes). Watkins foi também realizador de segunda unidade da sequela de ‘The Descent’, do original ‘My Little Eye’ (uma das primeiras abordagens ao terror baseado em “reality TV”) e ‘Gone’.
O c7nema falou com Watkins em 2009 a propósito da participação de ‘Eden Lake’ no Fantasporto e reencontra-o agora na antecipação do seu salto para uma produção de grande orçamento com ‘The Woman in Black’. Aqui deixamos a suas palavras, mais curtas do que pretendíamos mas compreensíveis, pois ‘The Woman in Black’ ainda está por iniciar a sua verdadeira campanha de Marketing e Watkins já prepara afincadamente um novo argumento.
Estás a escrever um novo argumento… de que trata?
Para já não posso revelar! Ainda não disse a ninguém e estou a apreciar a liberdade de poder escrever algo só para mim!
O que devemos esperar de ‘Woman in Black’? O filme parece ser assustador…
É uma história de fantasmas que é muito assustadora mas muito emocional: envia arrepios quer para os ossos quer para o coração. Penso que a palavra-chave do filme é “dread” (temor).
Como foi trabalhar com o David Radcliffe no seu primeiro papel na era pós-Harry Potter?
O Dan foi – e é – um prazer de pessoa. Ele é totalmente dedicado no que faz, muito inteligente na sua resposta emocional mas também é alguém que confia em quem trabalha com ele. A sua prestação no “The Woman in Black” é num registo muito diferente do de “Harry Potter” – muito mais introspectivo e constido. Aqui ele é um homem que transporta nos sues ombros o peso de um perda. Estou muito orgulho do trabalho dele.
Foi dificil passar de uma produção independente num registo violento como o de “Eden Lake” para uma produção de maior orçamento e registo mais polido como “Woman in Black”?
Nem por isso. O mesmo principio aplica-se: planear, planear, planear… e depois planear um pouco mais… E depois, se tudo correr bem, um acidente acontece.
Planeias continuar no trajecto do terror?
Sou motivado pela história – e se a história que surge nos sonhos ou que me aparece pela frente for de terror, então muito bem que o seja. Mas não estou vinculado ao terror. Aliás, após fazer dois filmes que exploram os nossos medos, estou interessante em fazer algo que celebre o espírito humano. Mas não vou fazer uma comédia romântica!
David Radcliffe
Os filmes de terror estão, nos dias de hoje, mais violentos que nunca. Será isto uma reacção à crise, como aconteceu nos anos 70 (década destacada pelo surgimento de produtos-choque como ‘Texas Chainsaw Massacre’ ou ‘The Last House on the Left’)?
No caso de “Woman in Black” é um filme de sustos mas não é de todo violento. Creio que será interessante ver como a crise actual afecta a consciência de quem faz cinema – creio que será um território rico para explorar os medos mais dramáticos que estão a surgir nos dias de hoje.
Vais estar presente no Fantasporto 2012?
Adorava – adoro o Porto e adoro o festival.
Republicação de uma entrevista conduzida por José Pedro Lopes a 4.12.2011

