Alba Flores emociona San Sebastián com “Flores para Antonio”, documentário sobre o pai

(Fotos: Divulgação)

Conhecida do grande público pelos seus memoráveis papéis como Saray, em Vis a Vis, e Nairóbi, em A Casa de Papel, Alba González Villa, mais conhecida como Alba Flores, viu-se exposta nos ecrãs do Festival de San Sebastián como protagonista do documentário Flores para Antonio. Trabalhando o íntimo e o profundamente pessoal, o filme assinado por Elena Molina e Isaki Lacuesta tem como ponto de partida o reencontro com a figura de um pai ausente através da memória familiar, das canções e dos arquivos pessoais.

A partir do legado musical e artístico de Antonio Flores (1961-1995), o documentário transforma-se num verdadeiro processo de descoberta coletiva – Alba, as suas tias (Lolita, Rosario, Ana) e os primos revisitam fotografias, vídeos, cadernos e letras de canções para recompor um retrato plural –  e de catarse: uma filha procura o pai e uma família encontra novas formas de falar sobre dor, perda e celebração.

Este filme foi para mim um antes e um depois na minha vida”, confessou Alba Flores aos jornalistas. “Não sei se alguma vez tinha feito algo tão importante, tão significativo para mim mesma – e creio que também para a minha família. (…) Ao começar a filmar com a família, percebi que nunca tinha falado com as minhas tias ou primos sobre tudo isto. Fomos descobrindo juntos. Cada um tinha uma visão, uma memória, e de repente conseguimos compor um retrato mais completo. Para mim, foi emocionante ver os meus primos mais novos, que conheceram pouco o meu pai, descobrirem quem ele era. Sinto que deixamos um testemunho, um lugar a que as próximas gerações da família podem ir para conhecer o tio Antonio. E é isso que desejo também para o público: que possam celebrá-lo, recordá-lo e, quando for preciso, chorá-lo conosco.”

Flores para Antonio

Habituado a marcar presença em San Sebastián, o catalão Isaki Lacuesta (Entre Duas Águas, 2018) descreveu o projeto como “uma aprendizagem emocional” e recordou, por exemplo, um dia de filmagem em que Alba conversava com a mãe, Ana: “Foi extremamente catártico. Eu dizia-lhes que eram umas kamikazes da inteligência emocional. São pessoas muito sábias, que trabalharam muito sobre si próprias.

Inicialmente pensada como uma narrativa conduzida pelas canções autobiográficas de Antonio Flores, a obra transformou-se progressivamente em algo mais íntimo: “Aos poucos percebemos que era a história de uma filha à procura do pai. A Alba foi generosa e valente ao expor-se dessa forma”, sublinhou Lacuesta. Já para Elena Molina, a força do filme reside também na sua universalidade: “Todas as famílias têm silêncios, conversas por ter, ausências que doem. Queríamos que o público se pudesse rever nesta história.”

Reconhecendo o peso cultural da família Flores – que desde os anos 1950, com a icónica Lola Flores, avó de Alba, faz parte da vida mediática espanhola –, os cineastas destacaram a autenticidade com que sempre viveram. “Antonio foi sempre transparente, tanto nas entrevistas como nas canções. O filme foi feito também para aliviar, para processar o trauma e revitalizar a sua história”, acrescentou Alba.

E conclui: “Queríamos celebrar a vida do meu pai. Para curar é preciso falar, até gritar. Mas este filme é, acima de tudo, uma celebração.”

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