Programada para o 1º de Maio no Cinema São Jorge, a sessão especial do filme “O Jovem Cunhal” no IndieLisboa encheu a sala Manoel de Oliveira. Uma sala que no final da projeção ouviu gritos de “Viva o 25 de abril”, “Viva o PCP” e ruidosamente cantou a internacional socialista.
Era de esperar tal reacção, até porque muitos que visitaram a sala de cinema lisboeta transportavam em si ainda as bandeiras que durante a tarde mostraram lá para os lado da Alameda Dom Afonso Henriques, onde tradicionalmente se celebram e relembram as origens e lutas ainda por travar do Dia do Trabalhador.
“O que vão ver não é ficção nem documentário. É cinema”, disse o realizador João Botelho ao apresentar a sua obra, a qual acompanha de perto a história do jovem Álvaro Cunhal, símbolo do comunismo português e uma das figuras mais relevantes do Portugal contemporâneo. Além de agradecer a ajuda de Pacheco Pereira para a preparação para o filme, aos júris do ICA por permitirem que o projeto fosse financiado, e ao IndieLisboa, por o exibir, João Botelho deu ainda os parabéns pelo centenário do Partido Comunista Português e relembrou que sem ele, “Portugal, que nem é grande coisa, estaria pior“.
Quem nos guia nesta viagem cinematográfica de apenas 53 minutos, por entre colagens de imagens de arquivo e reconstituições ficcionais, são os atores João Pedro Vaz e Margarida Vilanova, que algures entre o teatro e a sessão de leitura nos vão oferecendo cronologicamente alguns momentos chave da vida de Álvaro Cunhal e dos seus múltiplos pseudónimos (Manuel Tiago, Duarte, etc), sempre com uma veia poética a transbordar o ecrã e a provar que o cinema é uma “arte vampírica” que Botelho sempre defendeu.
“O Jovem Cunhal” é, aliás, como Ana Isabel Strindberg referiu na introdução da sessão, o segundo filme de João Botelho a ser apresentado no IndieLisboa. O primeiro foi “Um Filme em Forma de Assim“, no qual o cineasta traz Alexandre O’Neill ao cinema depois de “Um Adeus Português”.
O IndieLisboa termina dia 8 de maio e terá ainda uma outra sessão que se focará noutra figura marcante do Partido Comunista Português: Sita Valles, revolucionária antifascista angolana que, em Portugal, chegou a ser responsável pela União dos Estudantes Comunistas (UEC).

