Criticas do IndieLisboa: ‘Greenberg’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Há semanas apareceu na revista Slate, inspirado por este filme, um artigo sobre o “Omega Male”, o tipo de homem que se boicota perpetuamente, já a envelhecer, e que não consegue lidar com o mercado de trabalho e vive sem qualquer ambição. Depois de o ter lido, fiquei curioso com o filme, ainda mais por ter sido realizado e escrito por Noah Baumbach, realizador de “A Lula e a Baleia”. Infelizmente, a personagem de Ben Stiller, que dá nome ao filme, é uma personagem antipática e egotista o que torna difícil qualquer relação com o filme.

Após ter saído de um hospital mental, Roger Greenberg vai viver para casa do irmão em Los Angeles, que está no Vietname de férias com a família. Enquanto aí está, Roger envolve-se, sem nunca o querer fazer e por vezes até cortando explicitamente este envolvimento, com a assistente pessoal do seu irmão, Florence, e revê uma série de amigos que deixou para trás quinze anos antes, quando se mudou para Nova Iorque.

A personagem do homem falhado que não quer ser adulto ou lidar com o seu falhanço, assumindo uma posição de boicote na sua vida, não é nova e está a tornar-se aborrecida. Não há um elemento redentor na personagem de Greenberg: é agressivo, estúpido, sempre zangado com o que o rodeia, sempre assumindo um papel de vítima perante tudo o que lhe aconteceu na vida. Hollywood está, nestes últimos anos, cheia de papéis assim, que, mesmo sem o merecer, acabam sempre com a rapariga no final. Noah Baumbach repete a falha de Margot at the Wedding e esquece-se de tornar humanas as suas personagens, ficando só desagradáveis e impedindo o público de uma identificação com as mesmas.

É o trabalho de Greta Gerwig, como Florence, e de Rhys Ifans, como Ivan, um velho amigo de Greenberg, que salvam este filme de se tornar insuportável. Ainda assim, não conseguem torná-lo num bom filme.  

 
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