Nova boémia para Rami Malek na rapsódia de Ira Sachs

(Fotos: Divulgação)

Sete anos depois do Óscar conquistado com o êxito de bilheteira Bohemian Rhapsody (2018), Rami Malek não teve como evitar analogias entre Freddie Mercury e Jimmy George, a sua personagem em The Man I Love (2026), na conferência de imprensa do novo filme de Ira Sachs.

“Existem muitas semelhanças, em especial o sentido de medo. Mas, se houve algo que aprendi com Freddie, foi enfrentar esse medo. Se Ira me escolheu, é porque confiava que conseguiríamos cuidar do trabalho. Sou fã dele e pedi ao meu agente que nos aproximasse. Ao contrário do que se pensa, ganhar um Óscar não garante que bons projetos apareçam”, afirmou Malek, perante uma sala cheia de jornalistas, numa das conferências mais concorridas do festival em 2026.

Jimmy George, performer na Nova Iorque dos anos 1980 que entra e sai de hospitais, quase morreu duas vezes, toma quantidades absurdas de comprimidos e fuma como se o futuro já não existisse. Malek dá-lhe uma densidade rara ao regressar ao universo queer onde se afirmou junto do grande público. Desde o início, a personagem vive com VIH e toma AZT. A palavra sida nunca é dita, mas paira como ameaça — sobretudo para o companheiro Dennis (Tom Sturridge), que aceita até a presença de Vincent (Luther Ford), vizinho apaixonado.

“Ira sugeriu que víssemos Maurice Pialat, Opening Night (1977), de John Cassavetes, e outras referências para criar uma gramática cinematográfica para o filme”, disse Sturridge.

Ao C7nema, Sachs explicou que o prazer — palavra da qual Jimmy nunca abdica, mesmo em sofrimento — é central no seu processo criativo. “Esta personagem mostra que desejar é uma forma de continuar, de avançar”, afirmou o realizador, que regressa à competição pela Palma de Ouro sete anos depois de Frankie (2019). “Nos meus filmes, cada rosto carrega uma história”.

Ao seu lado, no Palais, estava Mauricio Zacharias, colaborador regular há 15 anos. “Vemos filmes juntos e construímos as personagens a partir do que estamos a viver”, explicou.

O Festival de Cannes termina este sábado.

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