Recebido pela crítica em Festival de Cannes como uma das mais preciosas surpresas da fase final do certame, em 2026, Diamond renova o prestígio de Andy Garcia, 25 anos após a sua nomeação ao Óscar por The Godfather Part III. É ele quem assina a realização deste thriller noir que presta tributo à prosa policial e ao cinema dela derivado nos anos 1940.
“Saí de Cuba aos cinco anos e, já em Miami, por volta dos 11, apanhava um autocarro sozinho para ir ao cinema ver programas duplos com clássicos. De alguma forma, tudo isso ficou em mim. Ao realizar este filme, procuro homenagear o cinema que me formou”, disse Garcia ao C7nema. “Todos nós amamos Casablanca*, e esse espírito está aqui”*.
Depois de 21 anos sem filmar, mas satisfeito com a sua estreia na realização em The Lost City (2005), Garcia regressa às longas numa síntese das influências que recebeu de Francis Ford Coppola, Sidney Lumet e Brian De Palma. Há algo de cada um neste “Dom Quixote” noir. Em cena, interpreta o detetive Joe Diamond, investigador célebre por recuperar flamingos desaparecidos. Ao investigar o homicídio de um milionário, vê os seus próprios segredos expostos numa trama onde o luto se cruza com a busca — ou a própria ideia — de verdade.
“Há muito amor neste homem, mas também muita dor. Trago comigo a perda de um país e de uma cultura, e isso está neste filme, que levei cerca de 15 anos a concretizar”, explicou. “Inicialmente pensei nele como série, mas acabei por transformá-lo em longa. Estou agora a escrever Hemingway & Fuentes*, sobre os bastidores de* O Velho e o Mar*”*.
O elenco reúne nomes como Bill Murray e Dustin Hoffman, já presentes no filme anterior de Garcia, e destaca ainda Danny Huston. Este recordou a herança do pai, John Huston: “Em Chinatown*, ele interpretou um dos vilões mais assustadores do cinema”*.
O Festival de Cannes decorre até 23 de maio.

