“As pessoas não sabem o que é a Suiça”, dizia-nos a cineasta Ursula Mayer na sua passagem por Lisboa em 2012, por ocasião da festa da francofonia. O país símbolo máximo dos direitos humanos, nos tempos que correm, tem muitos telhados de vidro em relação ao passado, algo que já fora visível no doloroso e contundente «Der Verdingbub» (The Foster Boy), de Markus Imboden, o qual abordava um dos maiores tabus helvéticos: a prática de adoções forçadas que vigorou no país de 1800 a 1960, e que levou o estado – legalmente -a retirar a custódia das crianças aos pais, caso estes fossem pobres, ou até filhos de pais separados, e entregá-los a famílias com mais posses.
Desta vez, neste “Caged Birds”, cabe a Oliver Rihs, cineasta já com duas décadas de experiência, a entrar pela história do século XX dos suíços para relatar factos do início dos anos 80, onde violentos protestos e levantamentos sociais emergiram contra a natureza restritiva, punitiva e sufocante da vida do país.
Filme de cariz histórico e político que nunca perde uma orientação comercial, “Caged Birds” acompanha duas personagens reais distantes que se cruzam numa luta por um objetivo comum: a liberdade de uma sociedade castradora e conservadora. É aí que entra em cena a advogada e ativista Barbara Hug (interpretada por Marie Leuenberger), e Walter Stürm (Joel Basman), um assaltante de bancos com tiques à la “Robin Hood”, ambos alvos das autoridades, que se unem para levar por adiante uma transformação política e social dos direitos humanos, especialmente no que concerne ao quadro penal.
Energético, com humor e filmado de forma mercantilista sem perder-se em demasiadas simplicações e superficialidades para simplesmente entreter as massas, “Caged Birds” proporciona interessantes momentos de lazer e entretenimento ao mesmo tempo que provoca reflexões sobre o passado (negro) de um país que se transformou numa das democracias mais sadias do globo.
Leuenberger e – principalmente – Basman, no papel do assaltante carismático (ao nível de um Robert Redford em jovem), são forças naturais que não cedem a maneirismos e clichês que o género normalmente convoca, dando ao filme um pouco mais que o selo de entretenimento ligeiro.















