Morreu aos 91 anos o espanhol Carlos Saura, realizador de ficções como “A Caça” (1965), “A prima Angélica” (1973) e “Ai, Carmela” (1990), e documentários como “Flamenco”, “Tango” e “Fados”.
Segundo a imprensa espanhola, Saura morreu esta sexta-feira, em Madrid, devido a insuficiência respiratória.
Com mais de sessenta anos de carreira, Saura iria receber amanhã um Prémio Goya honorário , que assim se torna um prémio póstumo, o terceiro da história da Academia. O prémio foi justificado pelo presidente da Academia, Fernando Méndez-Leite: “Pela sua extensa e altamente pessoal contribuição criativa para a história do cinema espanhol desde o final dos anos 1950 até hoje.”
Nascido em Huesca, a 4 de janeiro de 1932, Carlos Saura tinha uma família de raízes artísticas: a mãe, que era pianista, incutiu-lhe o gosto pela música, e o irmão António, que era pintor, a paixão pela arte. Na adolescência começou a praticar a fotografia e, em 1950, realizou as suas primeiras longas-metragens com uma câmara de 16 mm. Mudou-se então para Madrid para seguir a carreira de Engenheiro Industrial, mas a sua vocação para a fotografia, cinema e jornalismo obrigaram-no a abandonar esse curso e a matricular-se no Instituto de Investigaciones y Estudios Cinematográficos, combinando os estudos em cinema com os de jornalismo na Escuela de Periodismo. Terminou os estudos de realização em 1957 e lançou a curta-metragem “La tarde del domingo” (1957). Em 1959, filmou “Golfos, Los” (1962), a sua primeira longa-metragem, uma espécie de neorrealismo espanhol, abordando a delinquência juvenil nos bairros pobres de Madrid de um ponto de vista sociológico. Paralelamente à realização, ele continuou como professor no instituto até 1963, ano que foi afastado da escola por motivos políticos (censura de Franco).
Durante a sua longa carreira, os filmes de Saura geraram grande interesse dentro e fora das fronteiras espanholas, com prémios conquistados em Berlim (Urso de Ouro por “Deprisa, deprisa” e de Prata por “A Caça” e “Ideia Fixa“), Cannes (“A prima Angélica” e “Cria Corvos“) e San Sebastián (“Mamá cumple 100 años“), e três nomeações aos Óscares (“Mamá cumple 100 años“, “Carmen” e “Tango“).

