Um adeus a Aldir Blanc, o ourives da canção brasileira

(Fotos: Divulgação)

Foto: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO

Mesmo sem ter o ofício de ator entre as suas múltiplas proficiências (estudante de psiquiatria, músico, escritor e, sobretudo, um dos maiores compositores em língua portuguesa), Aldir Blanc – faleceu esta segunda-feira (04/05), devido a complicações causadas pela Covid-19 – tinha no seu currículo uma memorável participação no cinema brasileiro, à frente das câmaras, no filme Praça Saens Peña (2008). 

Na longa-metragem realizada por Vinícius Reis, há uma sequência de toada documental em que o professor interpretado por Chico Diaz aborda Aldir para uma pesquisa sua sobre o bairro da Tijuca. Numa conversa sobre perigos, encantos e resiliência, o autor de canções como O Bêbado e a Equilibrista (feita em parceria com João Bosco e eternizada na voz de Elis Regina) sintetiza a beleza do subúrbio do Rio de Janeiro. Essa era a essência das suas músicas e de livros como Direto do Balcão e Rua dos Artistas e Arredores. Com infeção generalizada, consequência do novo coronavírus, Aldir estava internado no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, desde o dia 20 de abril.

O compositor Dorival Caymmi dizia que Aldir era o ourives do palavreado, pelo seu domínio das palavras. Ele devolveu o subúrbio carioca à canção brasileira numa música altamente sofisticada“, diz o crítico de música Tárik de Souza ao C7nema. “Ele era, sobretudo, um cronista, como foi Nelson Rodrigues no teatro e Lupcínio Rodrigues na música. Aldir não aguentou ser psiquiatra nesse asilo de loucos que o Brasil se tornou“.

Outras composições famosas de Aldir são Bala com Bala, O Mestre-Sala dos Mares, De Frente Pro Crime e Caça à Raposa.

Tinha 73 anos.

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