O videojogo Grand Theft Auto V está em foco na imprensa desde que foi anunciado que conseguiu, em apenas 24 horas, vendas na casa dos 800 milhões de dólares (quase 600 milhões de euros), um verdadeiro recorde para a industria dos videojogos, já que a continuar nesse ritmo irá bater os valores de Call of Duty: Black Ops 2, que em novembro de 2012 tornou-se no videojogo a chegar mais rapidamente aos mil milhões de dólares [feito alcançado em 15 dias].
Porém, se pensamos que este sucesso de grande orçamento [270 milhões de dólares] poderá ser transportado para o cinema devido à sua popularidade, Dan Houser, co-fundador da Rockstar, explica que tal nunca deverá acontecer. Numa entrevista publicada no The Guardian, Houser falou do sistemático ruído de fundo sobre uma possível adaptação ao cinema do videojogo, algo que ele vê como muito improvável, apesar de já terem existido alguns contactos: «Já nos foi oferecida a hipótese [de adaptar ao cinema] diversas vezes, mas nunca nos atraiu muito a ideia. O dinheiro nunca esteve perto de ser suficiente para arriscar uma das nossas jóias da coroa. As nossas pequenas conversas superficiais com Hollywood sempre nos levaram a voltar a correr para os jogos».
Houser destacou ainda a grande liberdade criativa que a empresa goza na concepção do jogo, algo que no mundo do cinema não acontece, referindo que no momento em que as empresas de videojogos se aproximam de Hollywood, ou parecem dispostas, ou são obrigadas a perder o controle sobre as suas propriedades: «Aquela atitude amorfa de “isso não vai passar nos testes” é exatamente como não funcionamos. Nós pensamos sempre em coisas inovadoras. Transitar para um mundo onde isso não é encorajado seria horrível», afirmou.
Ainda assim, e apesar de defender a dificuldade em transpor para outro formato o jogo, Houser destacou que uma adaptação seria mais fácil para a TV: «É muito mais fácil imaginar o GTA como uma série de TV, já que a forma é mais próxima; ainda assim penso que perderíamos demasiado para arriscarmos(…) Nós temos este mundo gigantesco e aberto com mais de 100 horas de duração e damos aos jogadores o controle sobre aquilo que querem fazer, ver, e como o ver. Um mundo onde se pode fazer tudo, desde roubar um banco a ter uma aula de Ioga, ver TV… (..) Como condensar isso em 2 horas [filme] ou 12 horas [série de TV], retirando as coisas principais? (…) Nós amamos jogos e pensamos que temos algo que devemos manter nos jogos e que estes têm muito para dizer. Por isso, porque não continuamos a fazer isso?», concluiu.

