Como a crise (?) transformou «Vertigo» num filme sem qualidade

(Fotos: Divulgação)

A reposição nas salas de cinema do filme «Vertigo – A Mulher que Viveu Duas Vezes» não foi classificada como Filme de Qualidade pela Comissão de Classificação ligada à Inspeção Geral das Atividades Culturais. A obra, um clássico de Alfred Hitchcock, foi recentemente considerada pela revista Sight & Sound como o melhor filme de sempre, mas aparentemente a Secretaria de Estado da Cultura parece não concordar. Em termos práticos, esta classificação criada nos anos 80 destinava-se a isentar os distribuidores da taxa de distribuição (na casa dos 150 euros), mas aparentemente está a entrar em desuso.

Na realidade parece que a crise económica e a austeridade estão a afetar a definição de qualidade das obras, e de 45 filmes rotulados como de qualidade em 2008, passamos para 44 em 2009, 40 em 2010, 37 em 2011 e apenas 11 em 2012. Aliás, o último filme a estrear nas nossas salas com este selo foi «O Substituto». Note-se que destas 11 atribuições em 2012, 8 foram atribuídas até março. Depois desse mês (onde «Titanic 3D» foi contemplado), e contando com «O Substituto», apenas mais 2 filmes tiveram direito a esse selo: «A Bela e o Monstro 3D» e «Cesar deve Morrer».

É verdade que esta atribuição sempre teve o seu quê de polémica, pois os critérios de seleção de qualidade nunca foram explícitos. Porém, pela diminuição abrupta desta classificação ao longo de 2012  repara-se que certamente existirá uma contenção da atribuição deste selo, procurando assim arrecadar uma receita extra.

Será que 2013 será melhor? Haverá algum plano para eliminar este selo? Logo veremos. 

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