Foi apresentada hoje a nova edição do doclisboa, o festival de cinema dedicado ao documentário, já no seu décimo ano de existência. Com a crise económica e as medidas de austeridade a afetarem a produção e a exibição de cultura, o festival este ano define-se, mesmo sofrendo com a situação, numa posição de resistência. O programa reflete esta posição ao mesmo tempo que procura explorar a relação do cinema com a arte e com a política.
Apesar dos cortes no orçamento e na equipa, este ano o festival apresenta três secções novas: “Cinema de Urgência”, que tenta acompanhar a disseminação dos meios de produção cinematográfica e as novas plataformas de distribuição; “Verdes Anos”, onde se mostram os trabalhos de estudantes do meio; e “Passagens”, onde se explora o cruzamento do cinema nos meios artísticos e da arte no meio cinematográfico. Sobre esta última já escrevemos há semanas.
A seleção de filmes mostra-se, mais uma vez, forte, com uma grande aposta na produção nacional, com 68 filmes portugueses a serem apresentados, grande parte autoproduzidos, um tributo ao Festival de Curtas de Vila do Conde e uma homenagem a Fernando Lopes, falecido há meses. Mas nem só de Portugal vive o festival, como se pode ver pelas nacionalidades dos filmes programados: Líbano, França, Tailândia, Alemanha, Síria, Rússia, Brasil, Irão, Grécia, Camboja, Burkina Faso, entre outros. Para além do foco na atualidade e no panorama sócio-político atual, há também um olhar para os movimentos do passado na retrospetiva “United We Stand, Divided We Fall”, mesas redondas sobre “A RTP e o serviço público de televisão”, “laboratórios de cinema independente” e “O Cinema e a Crise na Europa do Sul”, o Doc 4 Kids e Atividades Pedagógicas. A secção “Heartbeat”, dedicada mais à música, este ano apresenta 5 filmes portugueses e uma exibição especial no Lux-Frágil, do filme “Shut Up And Play The Hits”, sobre os LCD Soundsystem.
«5 Broken Cameras»
Alguns dos filmes apresentados são já conhecidos, como “Sofia’s Last Ambulance”, presente na Semana dos Críticos em Cannes, «A Última Vez que vi Macau», que esteve em competição no Festival de Locarno, «5 Broken Cameras», vencedor do Prémio do Público no Festival de Cinema Documental em Amesterdão, «Demokratia», filme assinado por quatro realizadores gregos que acompanharam o processo eleitoral das últimas eleições, e “Cesare Deve Morrire”, que ganhou um Urso de Ouro em Berlim e é o candidato da Itália para o Óscar para Melhor Filme Estrangeiro, mas há muitos outros por descobrir de 18 a 28 de outubro.
Uma nota ainda para o júri, presidido na competição internacional por Andrei Ujică, realizador de filmes como «Autobiografia lui Nicolae Ceaușescu», e competição nacional com a presença da aclamada cineasta iraniana Samira Makhmalbaf, responsável por filmes como «Às Cinco da Tarde», «O Quadro Negro» e «Cavalo de duas pernas».
Samira Makhmalbaf
A bilheteira abre dia 4, com bilhetes a 4 euros, mas com vários descontos aplicáveis, para além dos vouchers de 10 ou 20 bilhetes. A secção “Passagens” inclui três exposições, no Palácio das Galveias, na galeria Carpe Diem e na Cinemateca, que são grátis.
Durante todo o festival vai estar aberto das 17h às 2h um espaço no Palácio das Galveias, à semelhança do que já aconteceu noutras edições. Outras informações estão disponíveis no site (http://www.doclisboa.org), onde estará também disponível o programa completo.

