O cineasta iraniano Jafar Panahi, consagrado por filmes como “The Circle” (Leão de Ouro em Veneza em 2000), “Crimson Gold” e “Offside” (Leão de Prata na Berlinale em 2006), foi condenado a 6 anos de prisão e ainda proibido de realizar filmes ou sair do país durante os próximos 20 anos, estando assim posta de lado a hipótese de integrar o júri do festival de cinema de Berlim no próximo ano, para o qual tinha sido convidado.
Conhecido por ser um dos maiores opositores ao regime de Teerão, Panahi já tinha sido detido, juntamente com outras pessoas ligadas ao mundo do cinema, em Agosto de 2009, no cemitério de Behesht-e Zahra, no sul de Teerão, por participarem numa homenagem às vítimas das manifestações pós-eleitorais no Irão. Posteriormente, em Março deste ano, ele foi detido novamente e levado para uma cadeia por estar a realizar um filme sobre o levantamento popular contra os resultados eleitorais que deram a vitória ao presidente Mahmoud Ahmadinejad – facto que sempre foi negado pela sua esposa.
Quem já se manifestou contra esta pena foi o ministro da Cultura francês, Frederic Mitterrand, que já ontem mostrou a sua indignação pelo “pseudo-julgamento” a que Panahi esteve sujeito.
E apesar de Panahi ser o rosto mais visível dos presos políticos, há outros cineastas nas mesmas condições. Mohammad Rasulov, outro cineasta da oposição, foi também condenado a seis anos de cadeia, garantindo o seu advogado que, tal como o de Panahi, irá apelar da sentença. Mohammad Nourizad, também realizador, está actualmente a cumprir uma pena de três anos e meio por espalhar propaganda contra os líderes iranianos.
E estes são apenas 3 dos mais de 80 activistas políticos que foram detidos desde Agosto, tendo sido todos sentenciados a penas entre os seis meses e os quinze anos, quando não existe uma condenação à morte….

