‘k.364 – A Journey By Train’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Douglas Gordon é um artista escocês, parte da onda YBA, vencedor do Turner Prize e conhecido por algumas incursões no mundo do cinema. Apesar da maioria das suas obras ser exibida em museus, em 2006 Gordon teve um grande sucesso com “Zidane”, um filme que teve distribuição comercial e chegou a ser exibido em Portugal. Nesse filme, utilizando 17 câmaras, Gordon documenta um jogo da liga espanhola, concentrando-se unicamente em Zidane. Em “k.364”, Gordon volta ao mesmo formato, um misto de documentário e de instalação artística e, a partir de uma viagem e concerto por dois músicos judeus na Polónia, tenta demonstrar a relação destes entre eles e com a sua História.

É polémica a relação da arte com o cinema: apesar de não se poder negar o valor artístico do cinema comercial (pelo menos na sua maioria), não é tão fácil reconhecer o interesse que possa ter para um público de cinema um filme cujo objectivo é essencialmente artístico. Isto porque este último tem tendência a concentrar-se nas vertentes técnica, formal e histórica do cinema como arte, sacrificando a narrativa. Se em “Zidane” essa narrativa estava garantida pelo jogo de futebol, neste caso não há uma estrutura que a sustenha. O filme baseia-se em três elementos: imagens de uma piscina construída numa antiga sinagoga, a viagem de comboio e o concerto integral de k364 de Mozart; os dois primeiros curtos e fragmentados, o último longo e com o ecrã dividido, mostrando imagens de duas câmaras que filmaram o concerto, por vezes misturadas com outras filmagens. Sem qualquer explicação, o filme não faz sentido e a única beleza que nele se pode encontrar é estética (visual e auditiva). Não fosse a conversa com o artista no final (hesito em chamar-lhe realizador) e a frustração à saída do filme teria sido maior.

É um filme para museus e galerias, não para salas de cinema. Ainda assim, sabe bem ver filmes assim em festivais de cinema, desde que acompanhados pelos seus autores, e reflectir sobre o meio de formas que não estamos habituados.

O Melhor: Durante o concerto, há momentos muito bons entre os músicos.
O Pior: O conceito é mais interessante que o resultado.

A Base: É um filme para museus e galerias, não para salas de cinema…4/10

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