É polémica a relação da arte com o cinema: apesar de não se poder negar o valor artístico do cinema comercial (pelo menos na sua maioria), não é tão fácil reconhecer o interesse que possa ter para um público de cinema um filme cujo objectivo é essencialmente artístico. Isto porque este último tem tendência a concentrar-se nas vertentes técnica, formal e histórica do cinema como arte, sacrificando a narrativa. Se em “Zidane” essa narrativa estava garantida pelo jogo de futebol, neste caso não há uma estrutura que a sustenha. O filme baseia-se em três elementos: imagens de uma piscina construída numa antiga sinagoga, a viagem de comboio e o concerto integral de k364 de Mozart; os dois primeiros curtos e fragmentados, o último longo e com o ecrã dividido, mostrando imagens de duas câmaras que filmaram o concerto, por vezes misturadas com outras filmagens. Sem qualquer explicação, o filme não faz sentido e a única beleza que nele se pode encontrar é estética (visual e auditiva). Não fosse a conversa com o artista no final (hesito em chamar-lhe realizador) e a frustração à saída do filme teria sido maior.
É um filme para museus e galerias, não para salas de cinema. Ainda assim, sabe bem ver filmes assim em festivais de cinema, desde que acompanhados pelos seus autores, e reflectir sobre o meio de formas que não estamos habituados.
O Melhor: Durante o concerto, há momentos muito bons entre os músicos.
O Pior: O conceito é mais interessante que o resultado.
A Base: É um filme para museus e galerias, não para salas de cinema…4/10

